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segunda-feira, 16 de maio de 2016

OS CRISTÃOS PRIMITIVOS CHAMAVAM O ESPIRITISMO DE PNEUMATOLOGIA

Na Bíblia, os fenômenos mediúnicos são conhecidos como  proféticos. E entre os primeiros cristãos, eles eram chamados também de pneumáticos, adjetivo esse derivado do substantivo grego “pneuma” (espírito). 


E, hoje, os fenômenos com espíritos, além de serem denominados mediúnicos, são também assim  chamados.


Porém, o que importa mais são os fenômenos em si, e, principalmente os bíblicos, de que procuraremos demonstrar alguns exemplos.

A Bíblia, de Gêneses até o Apocalipse, está cheia de fenômenos pneumáticos ou mediúnicos. “A lei foi anunciada pelos anjos.” (Atos 7: 53). Ora, anjos são espíritos enviados ao nosso mundo. Todo anjo é espírito (“pneuma”), mas nem todo espírito é anjo.

Se Moisés proíbe o contato com os espíritos (Deuteronômio cap. 18), é porque esse contato existe de fato. E ele fala de espíritos dos mortos e não dos tais de “diabos”. E aqui cabe um esclarecimento. Os anjos e demônios são os mesmos espíritos humanos, os já bem evoluídos que são os bons (anjos) e os ainda atrasados que são os maus. Mas, o grego é a língua em que foi escrito o Novo Testamento. 

E, nessa língua, “daimones” são espíritos humanos bons e maus. No singular é “daimon”.  Porém, como só se retiram “daimones” maus das pessoas, pois “daimones” bons não nos atormentam, passou-se a entender erradamente que todo “daimon” é mau! E assim, com o decorrer dos séculos, convencionou-se chamar os espíritos maus de demônios.

Há até uma tradição popular que nos demonstra que, na Bíblia, os espíritos são mesmo da mesma natureza dos “daimones”, ou seja, a que fala em anjo bom e anjo mau. E eis outro exemplo desse fato: Por analogia com o corpinho morto de uma criança, é comum as pessoas denominam-na de anjinho.

“Restitui-me a alegria da tua salvação, e sustenta-me com um espírito voluntário” (Salmo 51: 12). Não se trata do Espírito do próprio Deus nem do Espírito Santo dogmático da Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, mas de um espírito, bom, voluntário (um “daimon” bom). 

E lembramos aqui que o Espírito Santo bíblico é uma espécie de coletivo designando todos os espíritos. E, nesse caso bíblico, poderíamos dizer que o Espírito Santo de Daniel é um dos espíritos humanos representados pelo Espírito Santo bíblico, mas não o do dogma. (Daniel 13: 45 da Bíblia Católica).

Um espírito de um homem macedônio apareceu a Paulo dando-lhe orientação sobre uma viagem. (Atos 16: 9). É um espírito manifestante bom,  não o do próprio Deus.

  “Eis que meterei nele um espírito e ele, ao ouvir certo rumor, voltará para a sua terra; e nela eu o farei cair morto à espada.” (2 Reis 19: 7). O espírito não é o de Deus.

  “...O espírito de Elias repousa sobre Eliseu.” (2 Reis 2: 15). Não se trata também do Espírito do próprio Deus que é recebido pelo grande médium Eliseu.

  “Para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da Glória, vos conceda um espírito de sabedoria e de revelação no pleno conhecimento dele.” (Efésios 1: 17). Igualmente, aqui, o espírito enviado e recebido não é o do próprio Deus. 

Os exemplos dados escapam da maquiagem que fizeram na Bíblia para esconder os fenômenos mediúnicos ou pneumáticos, grandemente divulgados, hoje, pela Doutrina Espírita. 

E, na sua Vulgata Latina, são Jerônimo (princípio do século 5º) preferiu corretamente a tradução de “spiritus bonus” (espírito bom) à de Espírito Santo!

PS: Farei palestra no C.E.Joana de Ângelis, em 22-5-2016, às 19h, Rua São Manoel, 567, Vila Rosália, Guarulhos, Grande São Paulo - SP

 José Reis Chaves é escritor e palestrante Espírita



sexta-feira, 6 de maio de 2016

A PREDESTINAÇÃO, O AMOR E O SEMPITERNO PRESENTE DO PROJETO DE DEUS

Usamos, de preferência, o adjetivo português sempiterno, em vez de eterno, porque pelos termos bíblicos originais, em grego, “aionios” e “aêon”, e no latim da Vulgata Latina de são Jerônimo, “eternitas”, eles têm o sentido de tempo indeterminado e não de sem fim ou para sempre, como foram traduzidos. 



Se o significado fosse de tempo sem fim, as palavras apropriadas seriam “olam” em hebraico; “aidios” em grego; e “sempiternus” em latim derivado de “semper” (sempre).

Mas vamos ao assunto principal desta coluna de hoje. Sem exceção, Deus predestinou todos os seus filhos para a glória e a felicidade perenes e para sempre, por todas as eternidades. “Mas a misericórdia de Deus é de eternidade a eternidade.” (Salmo 103: 17). 

Sim, por tempos ou ciclos indeterminados, iniciando-se outro, logo que um chega ao fim e, assim, indefinidamente. Por isso, podemos chamá-los de tempo sempiterno de felicidades. 

E toda a criação de Deus é de um sempiterno presente de amor. “Não deixarás minha alma no inferno” (Salmo 15: 10).  Ora, se Deus não vai nos deixar no inferno, é porque vamos estar nele ou até já possamos estar, mas o certo é que não vamos ficar nele para sempre! O inferno é, pois, para nós eterno (tempo indefinido), mas não sempiterno (para sempre). 

Melhor dizendo, o inferno poderá ficar em nós por uns tempos, mas não para sempre, pois o reino de Deus é que, um dia, ficará em nós para sempre, já que o das trevas que está ainda dentro de nós é que é eterno ou passageiro e não sempiterno! 

Como já dissemos: “Mas a misericórdia de Deus é de eternidade a eternidade.” (Salmo 103: 17), isto é, em todas as eternidades ou em todo o tempo sem fim ou sempiterno presente de Deus, cuja misericórdia jamais cessa, pois é infinita.

Além disso, os nossos pecados ou faltas não fazem mal a Deus, mas aos nossos semelhantes e, por consequência, a nós mesmos que os cometemos. “Se pecas, que mal lhe causas tu?”; “Se as tuas transgressões se multiplicam, que lhe fazes?” (Jó 35: 6); “Se és justo, que lhe dás ou que recebe ele da tua mão?” (Jó 35: 7); e “A tua impiedade só pode fazer mal ao homem como tu mesmo, e a tua justiça dar proveito ao filho do homem.” (Jó 35:  8).

A doutrina da predestinação de Calvino que ensina que Deus criou uma parte dos espíritos para a salvação e outra para a condenação é, pois, um absurdo que não podemos atribuir a Deus que é um ser de perfeição e amor infinitos e que não faz, portanto, acepção de pessoas. “Reconheço por verdade que Deus não faz acepção de pessoas.” (Atos 10: 34); e “Deus é amor.” (1 João 4: 8). Ademais, como foi dito, Deus é imutável, não tendo o bem e o mal que fizermos nenhuma influência sobre Ele. 

E, por ser Ele amor infinito, não discrimina nenhum de seus filhos, e já nos criou todos de fato predestinados, mas para a alegria e a felicidade sempiternas. “Nos predestinou para Ele, para a adoção de filhos...” (Efésios 1: 5); e “O Senhor é misericordioso e compassivo; longânimo e assaz benigno.” “Não repreende perpetuamente, nem conserva para sempre a sua ira.” (Salmo 103: 8 e 9).

E até ousamos dizer que a doutrina da predestinação é uma blasfêmia contra Deus, já que ela atribui a Ele o absurdo de Ele criar parte de seus filhos predestinados para o sofrimento sempiterno, o que seria totalmente incompatível com seus atributos de misericórdia e amor infinitos!


José Reis Chaves é escritor e palestrante e apresenta o programa “Presença Espírita na Bíblia”, www.tvmundomaior.com.br .

sexta-feira, 8 de abril de 2016

Anjos da Guarda, Espíritos Protetores, Familiares ou Simpáticos


 

Livro dos Espíritos - Allan Kardec

 
Conheça o trabalho de Régis Mesquita
       489. Há Espíritos que se ligam a um indivíduo em particular para o  proteger?                                                        
 
       — Sim, o irmão espiritual; é o que chamais o bom Espírito ou o bom gênio.
 
       490. Que se deve entender por anjo da guarda?
 
      — O Espírito protetor de uma ordem elevada.
 
      491. Qual a missão do Espírito protetor?
 
      — A de um pai para com os filhos: conduzir o seu protegido pelo bom caminho, ajudá-lo com os seus conselhos, consolá-lo nas suas aflições sustentar sua coragem nas provas da vida.
 
      492. O Espírito protetor é ligado ao indivíduo desde o seu nascimento?
 
      — Desde o nascimento até a morte, e freqüentemente o segue depois da morte, na vida espírita, e mesmo através de numerosas experiências corpóreas porque essas existências não são mais do que fases bem curtas da vida do Espírito.
 
      493. A missão do Espírito protetor é voluntária ou obrigatória?
 
      — O Espírito é obrigado a velar por vós porque aceitou essa tarefa mas pode escolher os seres que lhe são simpáticos. Para uns, isso é um prazer; para outros, uma missão ou um dever.
 
      493 – a) Ligando-se a um pessoa, o Espírito renuncia a proteger outros indivíduos?
 
      — Não, mas o faz de maneira mais geral.
 
     494. O Espírito protetor está fatalmente ligado ao ser que foi confiado à sua guarda?
 
     —Acontece freqüentemente que certos Espíritos deixam sua posição pura cumprir diversas missões, mas nesse caso são substituídos.
 
     495. O Espírito protetor abandona, às vezes, o protegido, quando este se mostra rebelde às suas advertências?
 
     — Afasta-se quando vê que os seus conselhos são inúteis e que é mais forte a vontade do protegido em submeter-se à influência dos Espíritos inferiores, mas não o abandona completamente e sempre se faz ouvir. É o homem quem lhe fecha os ouvidos. Ele volta, logo que chamado.
 
     Há uma doutrina que deveria converter os mais incrédulos, por seu encanto e por sua doçura: a dos anjos da guarda. Pensar que tendes sempre ao vosso lado seres que vos são superiores, que estão sempre ali para vos aconselhar, vos sustentar, vos ajudar a escalar a montanha escarpada do bem, que são amigos mais firmes e mais devotados que as mais íntimas ligações que se possam contrair na Terra, não é essa uma ideia bastante consoladora? Esses seres ali estão por ordem de seu Deus, que os colocou ao vosso lado; ali estão por seu amor, e cumprem junto a vos todos uma bela mas penosa missão. Sim, onde quer que estiverdes, vosso anjo estará convosco: nos cárceres, nos hospitais, nos antros do vício, na solidão, nada vos separa desse amigo que não podeis ver, mas do qual vossa alma recebe os mais doces impulsos e ouve os mais sábios conselhos.
 
     Ah!, por que não conheceis melhor esta verdade? Quantas vezes ela vos ajudaria nos momentos de crise; quantas vezes ela vos salvaria dos maus Espíritos! Mas no dia decisivo este anjo de bondade terá muitas vezes de vos dizer: “Não te avisei disso? E não afizeste! Não te mostrei o abismo? E nele te precipitaste! Não fiz soar na tua consciência a voz da verdade, e não seguiste os conselhos da mentira?”. Ah!, interpelai vossos anjos da guarda, estabelecei entre vós e eles essa terna intimidade que reina entre os melhores amigos! Não penseis em lhes ocultar nada, pois eles são os olhos de Deus e não os podeis enganar! Considerai o futuro; procurai avançar nesta vida, e vossas provas serão mais curtas, vossas existências mais felizes. Vamos, homens, coragem! Afastai para longe de vós, de uma vez por todas, preconceitos e segundas intenções! Entrai na nova via que se abre diante de vós, marchai,marchai! Tendes guias, segui-os; a meta não vos pode faltar porque essa meta é o próprio Deus.
 
      Aos que pensassem que é impossível a Espíritos verdadeiramente elevados se restringirem a uma tarefa tão laboriosa e de todos os instantes, diremos que influenciamos as vossas almas, embora estando a milhões de léguas de distância: para nós o espaço não existe, e mesmo vivendo em outro mundo os nossos Espíritos, conservam sua ligação convosco. Gozamos de faculdades que não podeis compreender, mas estais certos de que Deus não vos impôs uma tarefa acima de vossas forças, nem vos abandonou sozinhos sobre a Terra, sem amigos e sem amparo.
 
    Cada anjo da guarda tem o seu protegido e vela por ele como um pai vela pelo filho.  Sente-se feliz quando o vê no bom caminho; chora quando os seus conselhos são desprezados.
 
     Não temais fatigar-nos com as vossas perguntas; permanecei, pelo contrário, sempre em contato conosco: sereis então mais forte e mais felizes. São essas comunicações de cada homem com seu Espírito familiar que fazem médiuns a todos os homens, médiuns hoje ignorados, mas que mais tarde se manifestarão, derramando-se como um oceano sem bordas para fazer refluir a incredulidade e a ignorância. Homens instruídos, instruí; homens de talento, educai vossos irmãos. Não sabeis que a obra assim realizais: é a do Cristo, a que Deus vos impõe. Por que Deus vos concedeu a inteligência e a ciência, senão para as repartirdes com vossos irmãos, para os adiantar na senda da ventura e da eterna bem aventurança?
 
                                                                        São Luis, Santo Agostinho.
 
 
 Comentário de Kardec: A doutrina dos anjos da guarda, velando pelos protegidos apesar da distância que separa os mundos, nada tem que deva surpreender, pelo contrário, é grande e sublime.  Não vemos sobre a Terra um pai velar pelo filho, ainda que esteja distante, e ajuda-lo com seus conselhos através da correspondência?  Que haveria de admirar em que os Espíritos possam guiar, de um mundo ao outro, os que tomaram sob sua proteção, pois se, para eles, a distância que separa os mundos é menor que a que divide os continentes da Terra? Não dispõem eles do fluido universal que liga a todos os mundos e os torna solidários, veículo imenso da transmissão do pensamento, como o ar é para nós o veículo da transmissão do som?
 
       496. O Espírito que abandona o seu protegido, não mais lhe fazendo o bem, pode fazer-lhe mal?
 
     — Os bons Espíritos jamais fazem o mal; deixam que o façam os que lhes tomam o lugar, e então acusais a sorte pelas desgraças que vos oprimem, enquanto a falta é vossa.                  
 
     497. O Espírito protetor pode deixar o seu protegido à mercê de um Espírito que o quisesse mal?
 
     — Existe a união dos maus Espíritos para neutralizar a ação dos bons, mas, se o protegido quiser, dará toda força ao seu bom Espírito. Esse talvez encontre, em algum lugar, uma boa vontade a ser ajudada, e a aproveita, esperando o momento de voltar junto ao seu protegido.
 
Enviado pelo divulgador Régis Mesquita (Campinas/SP)

segunda-feira, 4 de abril de 2016

ESCREEVERAM A BÍBLIA HOMENS INSPIRADOS POR ESPÍRITOS TIDOS COMO DEUS



Inspiração não é um ditado. E talvez seja melhor chama-la de intuição e “insights”, pois essas duas alternativas são ideias novas desconhecidas que nos vêm inesperadamente. 

José Reis Chaver


A inspiração ou intuição é de Deus, se ela chega a nós através de um espírito bom, santo, pois tudo que é bom, no fundo, vem de Deus. 

Mas não se trata de uma influência direta do próprio Deus sobre nós, mas de um espírito do bem, procedente de Deus. A Bíblia diz, pois, que um espírito é de Deus nesse sentido de ele ser do bem. “Não são todos eles anjos espíritos ministradores enviados para serviço, a favor dos que hão de herdar a salvação?” (Hebreus 1: 14). 

“Que o Deus de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai a quem pertence a glória, vos dê um espírito de sabedoria, que o revele a vós e faça conhecer verdadeiramente.” (Efésios 1: 17). 

Esse texto, além de nos demonstrar que Jesus Cristo não é Deus mesmo, absoluto, demonstra-nos também que o espírito a ser enviado não é o Espírito Santo da Terceira Pessoa trinitária, que é tida por muitos como sendo o próprio Deus. 

E perguntamos qual dos dois Espíritos Santos é o Deus verdadeiro, o da Terceira  ou o da Primeira Pessoa trinitária? Ademais, fica evidente nessa passagem de Efésios que não se trata da Primeira nem da Terceira Pessoas trinitárias, mas apenas de um espírito de sabedoria. 

Aliás, como dizemos frequentemente nas matérias dessa coluna de O TEMPO, Paulo não conheceu o Espírito Santo da Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, que foi imaginado e criado, aos poucos, pelos teólogos, e que começou a ter uma existência mais oficial no Concílio Ecumênico de Constantinopla (381), o primeiro realizado nesta cidade.

E o apóstolo e evangelista são João chama-nos a atenção para que examinemos os espíritos, pois há espíritos de vários níveis enquanto estão encarnados, tentando, mentindo, atormentando e cometendo crimes, e que quando desencarnam, continuam na mesma, enganando e obsidiando as pessoas, principalmente as que foram seus inimigos nesta vida ou em outras anteriores. 

Atualmente, a passagem joanina a que estamos nos referindo está adulterada nos meios evangélicos para ocultar nela a presença claríssima de espíritos. E vamos, pois, apresentá-la na íntegra como ela está nas bíblias mais antigas: “Amados, não deis crédito a qualquer espírito: antes provai se os espíritos se procedem de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo fora.” (1 João 4: 1). 

João demonstra-nos, também, que não é o Espírito Santo que se comunica, pois ele fala de espíritos no plural e não de que devamos constatar se se trata do Espírito Santo trinitário dogmático que, aliás, ele nem conheceu. 

E essa passagem demonstra-nos, ainda, que as profecias podem ser feitas também por espíritos através de profetas (médiuns) que os recebem. E mais, a leitura da continuação do texto, no versículo dois seguinte, mostra-nos que todo espírito que for de Deus, isto é, do bem, diz verdades, não negando, pois, que Jesus veio em carne, condenando assim os docetistas do seu tempo, que ensinavam que Jesus, só aparentemente, veio em carne. 

Esse ensino de João é muito importante, principalmente, para muitos cristãos das gerações futuras depois dele, que, ao receberem espíritos bons, ou que fingem ser bons, vêm pensando erradamente que os espíritos que recebem são o do próprio Deus! 

PS: Recomendo “O Nome de Deus é Misericórdia”, do Papa Francisco, Ed. Planeta, mfigueiredo@editoraplaneta.com.br

José Reis Chaves - Prof. de português e literatura aposentado formado na PUC Minas
Escritor e jornalista colunista do diário O TEMPO, de Belo Horizonte
Palestrante nacional e internacional espírita e de outras correntes
espiritualistas
Apresentador  do programa “Presença Espírita na Bíblia” da TV Mundo Maior
Participante do programa “O Consolador” da Rádio Boa Nova
Tradutor de "O Evangelho Segundo o Espiritismo", de Kardec, para a
Editora Chico Xavier.
E autor dos livros, entre outros, "A Reencarnação na Bíblia e na
Ciência" e "A Face Oculta das Religiões", Editora EBM, SP, ambos
lançados também em inglês nos Estados Unidos.

Facebook: www.facebook.com/jreischaves
E-mail:  jreischaves@gmail.com
Site: www.josereischaves.com.br

Podem-se ler também as matérias da coluna de José Reis Chaves em O
TEMPO, de Belo Horizonte, no seu facebook e no site desse jornal:
www.otempo.com.br 
 

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

O espanto com a morte! por Jô Andrade

Passei muitos anos com medo e receios da morte, a ponto de não querer nem comentar a respeito do assunto.


Jô Andrade


Presente ela está em nossa vida e em alguns anos ela apresentou-se crua e nua, no de repente, embora esta situação não exista, mas foi o sentimento que calou meu peito, levando minha mãe, logo após um irmão e mais adiante o pai. Num curto espaço de tempo, três pessoas se foram... ou voltaram para casa, depende o ponto de vista.


O medo já não fazia parte do cenário mental, porém instalou-se uma energia de dor por conta da saudade física, causada pela separação, que nunca soube medir.


O tempo encarrega-se de colocar um pouco de alívio em alguns momentos. Entretanto, em alguns outros a dor reaparece com intensidade mortífera.


O Espiritismo, através dos estudos particulares, nos faz entender com lógica que a morte faz parte do processo evolutivo das almas. Que o Espírito precisa estar ora encarnado, ora desencarnado para poder estudar, trabalhar, avaliar o seu percurso e identificar quais resultados atingiu e quais pontos terá que dedicar-se para aperfeiçoar e prosseguir em sua trajetória na direção da perfeição ao que é destinada.
E a vida prossegue seu curso normal moldurada pela imortalidade...

Recentemente fui abordada por duas senhoras, que se intitulam Espíritas, em idades avançadas e ambas demonstrando, pelos vários anos de amizades, perfeita comunhão com a Doutrina dos Imortais, mais estava espantadas com a morte de uma terceira amiga, de mais ou menos 68 anos de idade:

— Como isto foi acontecer? Foi tão de repente. Nunca imaginávamos que a amiga fosse embora tão rapidamente. Nunca se queixou de nada. Que loucura que é esta vida! Logo sou eu que vou embora.
Essas foram algumas das colocações espantosas das senhoras, frente ao retorno à Pátria Espiritual da nossa amiga.

Confesso que fiquei surpresa e meu espanto foi muito grande, não pela morte, pois já a reconheço como natural há muito tempo, mas pelas colocações de perturbação e de sobressalto das conhecidas... Espíritas
A morte, que é a cessação definitiva ou a ausência da vida física, representa renovação, retorno ao lar, pois aqui estamos fora de casa, visto que não somos do planeta Terra, retornamos à casa, no estado de erraticidade, pois ainda fica a necessidade de novas encarnações.

Com a morte ocorre a separação e que sem dúvida é doloridíssima. Como Espíritas, devemos aceitá-la como parte do processo natural da evolução dos seres, isto não quer dizer que quando ela ocorrer em nossa vida, não iremos sofrer. O que ofende a razão é acreditar que a morte acaba com tudo, que não teremos continuidade de existência e projetarmos aflição e revolta pelo ocorrido, afinal isso é sempre falta de confiança em Deus.

Se somos Espíritas, precisamos crer e demonstrar que confiamos no Criador e que se a morte existe, até por uma Lei Natural, sabemos que sofremos pela separação, mas acreditamos que a vida continua, que somos seres imortais e que TUDO está CERTO como está, afinal, morrer é partir antes.

Jô Andrade - www.clubedobem.net.br

Photo: http://www.noticiasespiritas.com.br/2016/FEVEREIRO/13-02-2016_arquivos/image035.jpg

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

SE UMA SÓ ALMA SE PERDESSE, DEUS NÃO SERIA ONIPOTENTE E ONISCIENTE



Aos leitores dos comentários do Portal de O TEMPO (www.otempo.com.br) digo que um evangélico, que costuma exceder-se nos seus comentários, disse que eu afirmei que “Jesus é mentiroso”, o que não é verdade. E lembro aqui o sacerdote francês franciscano François Brune, diretor do Vaticano de TCI (transcomunicação instrumental) ou comunicação com os espíritos por aparelhos eletrônicos (rádio, tv, telefone, gravador, computador, vidicom, espiricom etc), e autor de “Os Mortos nos Falam”, que disse: “como eu gostaria de que os católicos amassem Jesus como o amam os espíritas!”.



Deus, além de onipotente e onisciente, é onipresente e onividente. Onipresente significa que ele está presente em todos os lugares onde Ele quiser estar, onividente, que Ele vê tudo que é visível e invisível do passado, do presente e do futuro.

Deus criou o homem com livre-arbítrio, podendo ele fazer o que quiser. E há dois tipos de poder: o poder ou capacidade para fazer alguma coisa e o poder moral. Assim, o indivíduo tem o poder de assassinar alguém. Porém, moralmente, não tem esse poder. E ele é recompensado e punido, reciprocamente, pelo bem e pelo mal que fizer. Quanto a Deus, é como se Ele não tivesse o livre-arbítrio, pois tudo que Ele faz é certo e bom.

Não pode haver incompatibilidade entre a salvação e o livre-arbítrio. Sendo Deus todo-poderoso, amorável e sabedor de tudo, Ele jamais no-lo daria, se ele pudesse arrastar-nos a uma condenação para sempre. O livre-arbítrio não pode ser, pois, como se fosse uma isca mortal no anzol para o peixe. Deus não é pescador e nós não somos peixes!

E assim, conclui-se que o livre-arbítrio mal usado pode realmente nos causar consequências de males ou sofrimentos, mas temporários, e não para sempre, uma vez que seria uma injustiça, pois seria uma pena como que infinita para faltas finitas. E essa injustiça não se pode atribuir ao ser infinitamente perfeito e amorável que é Deus. 

É por isso que Ele, onipotente e onisciente que é, dotou-nos não só do livre arbítrio, mas também do fenômeno da palingenesia ou reencarnação, exatamente para possibilitar-nos, através de várias vidas terrenas, a nossa evolução ou regeneração, como se lê em Mateus 19: 28 e Tito 3: 5 (ver a Bíblia nos seus originais gregos, pois a palavra “palingenesia”, que é a volta à vida ou outra reencarnação (ver dicionários) foi traduzida errada, propositadamente, por regeneração, exatamente para esconder a ideia da reencarnação). 

É justamente pela palingenesia que todos nós poderemos conseguir a nossa regeneração, purificando-nos de nossos erros, e podermos assim alcançar a nossa difícil passagem pela chamada porta estreita, símbolo da salvação segundo o ensino do nosso excelso Mestre.

Se somente um filho de Deus se perdesse irremediavelmente para sempre, Deus não seria um Ser todo-poderoso, onipotente, onisciente, onividente e de amor infinito, capaz, pois, de poder livrar todos os seus filhos, infinitamente amados por Ele, do tão falado e exaltado inferno sempiterno. 

Ora, para isso se realizar, não poderia faltar a vontade de Deus. E se Ele é onipotente e onisciente pode e saberá como concretizá-la.

A aceitação, pois, da hipótese de perda irremediável e para sempre de um só filho de Deus, sem a palingenesia para a regeneração, seria até como que uma blasfêmia contra o Todo-Poderoso e Todo-Amoroso Pai e Mãe de todos nós!

José Reis Chaves - escritor e palestrante espírita

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Vc conhece o Batuíra?

Antônio Gonçalves da Silva Nascido em 19 de março de 1839, em Portugal, na Freguesia de Águas Santas, hoje integrada no Conselho da Maia.




Completada a sua instrução primária, veio para o Brasil, com apenas onze anos de idade, aportando no Rio de Janeiro, a 03 de janeiro de 1850. 


Grande Divulgador do Espiritismo


Devido a ser um moço muito ativo, correndo daqui para acolá, a gente da rua o apelidara "o batuíra", o nome que se dava à narceja, ave pernalta, muito ligeira, de vôo rápido, que freqüentava os charcos na várzea formada, no atual Parque D. Pedro II, na cidade de São Paulo, pelos transbordamentos do rio Tamanduateí. Desde então o cognome "Batuíra" foi incorporado ao seu nome.

Batuíra desempenhou uma série de atividades que não cabe registrar nesta concisa biografia, entretanto, podemos afirmar que defendeu calorosamente a idéia da abolição da escravatura no Brasil, quer seja abrigando escravos em sua casa e conseguindo-lhes a carta de alforria, ou fundando um jornal a fim de colaborar na campanha encetada pelos grandes abolicionistas Luiz Gama, José do Patrocínio, Raul Pompéia, Paulo Ney, Antônio Bento, Rui Barbosa e tantos outros grandes paladinos das idéias liberais.

Homem de costumes simples, alimentando-se apenas de hortaliças, legumes e frutas, plantava no quintal de sua casa tudo aquilo de que necessitava para o seu sustento. Com as economias, adquiriu os então desvalorizados terrenos do Lavapés, em São Paulo, edificando ali boa residência e, ao lado dela, uma rua particular com pequenas casas que alugava a pessoas necessitadas. O tempo contribuiu para que tudo ali se valorizasse, propiciando a Batuíra apreciáveis recursos financeiros. A rua particular levaria, posteriormente, nome de Rua espírita, a qual existe até hoje.

Tomando conhecimento das altamente consoladoras verdades do Espiritismo, integrou-se resolutamente nessa causa, procurando pautar seus atos nos moldes dos preceitos evangélicos. Identificou-se de tal maneira com os postulados espíritas e evangélicos que, ao contrário do "moço rico" da narrativa evangélica, como que procurando dar uma demonstração eloqüente da sua comunhão com os preceitos legados por Jesus Cristo, desprendeu-se de tudo quanto tinha e pôs-se a seguir as suas pegadas. Distribuiu o seu tesouro na Terra, para entrar de posse daquele outro tesouro dos Céus.

Tornou-se um dos pioneiros do Espiritismo no Brasil e fundou o "Grupo Espírita Verdade e Luz", onde, no dia 6 de abril de 1890, diante de enorme assembléia, dava início a uma série de explanações sobre "O Evangelho Segundo o Espiritismo".

Nessa oportunidade deixara de circular a única publicação espírita da época, intitulada "Espiritualismo Experimental" redigida desde setembro de 1886, por Santos Cruz Junior. Sentindo a lacuna deixada por essa interrupção, Batuíra adquiriu uma pequena tipografia, a que denominou "Tipografia Espírita", iniciando a 20 de maio de 1890, a publicação de um quinzenário de quatro páginas com o nome "Verdade e Luz", posteriormente transformado em revista e do qual foi o diretor- responsável até a data de sua desencarnação.

A tiragem desse periódico era das mais elevadas, pois de 02 ou 03 mil exemplares, conseguiu chegar até 15 mil, quantidade fabulosa para aquela época, quando nem os jornais diários ultrapassavam a casa dos 03 mil exemplares. Nessa tarefa gloriosa e ingente, Batuíra despendeu sua velhice. Era de vê-lo, trôpego, de grandes óculos, debruçado nos cavaletes da pequena tipografia, catando, com os dedos trêmulos, letras no fundo dos caixotins.

Para a manutenção dessa publicação, Batuíra despendeu somas respeitáveis, já que as assinaturas somavam quantia irrisória. Por volta de 1902 foi levado a vender uma série de casas situadas na Rua Espírita e na Rua dos Lavapés, a fim de equilibrar suas finanças.

Não era apenas esse periódico que pesava nas finanças de Batuíra. Espírito animado de grande bondade, coração aberto a todas as desventuras, dividia também com os necessitados o fruto de suas economias. Na sua casa a caridade se manifestava em tudo: jamais o socorro foi negado a alguém, jamais uma pessoa saiu dali sem ser devidamente amparada, havendo mesmo muitas afirmativas de que "um bando de aleijados vivia com ele". Quem ali chegasse, tinha cama, mesa e um cobertor.

Certa vez um desses homens que viviam sob o seu amparo, furtou-lhe um relógio de ouro e corrente do mesmo metal. Houve uma denúncia e ameaças de prisão. A esposa de Batuíra lamentou- se, dizendo: "é o único objeto bom que lhe resta". Batuíra, porém, impediu que se tomasse qualquer medida, afirmando: "Deixai-o, quem sabe precisa mais do que eu".

Batuíra casou-se em primeiras núpcias com Da. Brandina Maria de Jesus, de quem teve um filho, Joaquim Gonçalves Batuíra, que veio a desencarnar depois de homem feito e casado. Em segundas núpcias, casou-se com Da. Maria das Dores Coutinho e Silva; desse casamento teve um filho, que desencarnou repentinamente com doze anos de idade. Posteriormente adotou uma criança retardada mental e paralítica, a qual conviveu em sua companhia desde 1888.

Figura bastante popular na cidade de São Paulo, Batuíra tornou-se querido de todos, tendo vários órgãos da imprensa leiga registrado a sua desencarnação e apologiado a sua figura exponencial de homem caridoso e dedicado aos sofredores. Desencarnou em 22 de janeiro de 1909 em São Paulo.


Fonte:
Grandes Vultos do Espiritismo, de Paulo Alves Godoy, Edições FEESP

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

A DOUTRINA DO ELOGIO - Por Christina Nunes

Elogiar é atitude que, quando revestida de sinceridade, honestidade de intenções, se associa naturalmente ao exercício do amor confraterno, tão necessário em todos os tempos para que as sociedades humanas, imbuídas da noção exata do valor da vida, progridam gradativamente do estado da barbárie egoística até ao nível do homem situado em patamares de ordem espiritual evolutiva superiores.


Nada obstante, singular a percepção de que, na medida em que o mundo avança em conquistas materiais e tecnológicas, a simplicidade suprema desta verdade aparentemente se perca da capacidade do ser humano para apreendê-la em seu íntimo, e aplica-la em benefício próprio e no dos semelhantes que o cercam.




"Valorizemos os nossos semelhantes, como queremos que se faça a nós mesmos"

Lembro-me de dois episódios dos quais retive marcante impressão, embora em níveis paradoxais: da lição positiva deixada por uma senhora distinta do meu conhecimento, durante breve diálogo no decorrer de um dia de trabalho, tanto mais porque, de índole, me dedico a pratica-la, na medida de minhas possibilidades, podendo constatar a sua eficácia natural; e de algo ouvido também em outra conversa casual, muitos anos antes, de pessoa da qual me surpreendeu grandemente as diretrizes das atitudes, tanto mais por ser benquista, e repercutida como indivíduo devotado ao exercício amável e confraterno nos relacionamentos.

A primeira personagem - a senhora gentil - comentou que criou seus filhos "na base do elogio". Mas, não entendam a assertiva com base no elogio irresponsável e imerecido. Aludiu, ela, ao incentivo saudável, idôneo, das qualidades verificadas naqueles que nos foram confiados à responsabilidade de pais e mães que sabem também o modo correto de orientar e lapidar as facetas necessitadas de reformulação nos caráteres em formação dos pequenos.

É o se aplaudir o bom coração, a tendência por vezes prestativa, espontânea, nas iniciativas dos filhos, a inteligência por vezes aguçada; todavia, alertando-os, n'outros momentos, quando necessário, para a inconveniência da indolência, e do egoísmo muito comum em muitos na fase turbulenta da adolescência.

Isso, efetivamente, é o se educar: o se valorizar um "por favor" e "muito obrigada" que as crianças aprendem, porventura com facilidade, para a boa convivência; o se oferecer o lugar aos idosos no coletivo urbano. Valorizar, nas personalidades em formação, o que em todas as fases da história humana se reveste de valor próprio - não transitório! Não acessório, como pode ocorrer ao se ser benquisto por se adotar o último estilo de corte de cabelo da moda!

O segundo episódio foi, como dito, um comentário inusitado, ouvido ao acaso durante diálogo informal, justamente sobre a importância do elogio: "- Ah, eu não elogio mesmo, pra não dar cartaz!"...

Inacreditável para alguns dos leitores? Sim. A mim também causou espécie, ouvir tamanha mostra de falta de percepção para o modo como as coisas podem acontecer de forma mais feliz na convivência diária, com benefícios para todos; mas é preciso que se entenda a verdade indiscutível de que este tipo de mentalidade distorcida é produto crescente, com o passar das últimas décadas, de uma formação calcada num padrão quase selvagem de competitividade, no qual se assentou como rocha inabalável a ideia de que o indivíduo vale em função de seu utilitarismo, e não do que, de fato, é!

Pouco importa, portanto, sob esta ótica, os prováveis talentos e qualidades naturais de que cada um de nós é portador, e que, em sendo reconhecido com equanimidade por, e para todos, reverteria num modelo de sociedade na qual seus cidadãos seriam muito mais realizados, felizes naquilo que criam e produzem.

Todavia, no uso do conceito, em muitas mentes generalizado, de que "não se elogia para não dar cartaz", o que se requer, imperativamente, é o "se dar melhor que o outro".

É o sobressair mais as auto intituladas virtudes, de preferência em detrimento às existentes no seu próximo, que se pretende as mais apagadas possível da percepção alheia, com o fim de fazer notar somente a si; de se vencer, deste modo, na competição salarial e profissional, em quaisquer meios existentes, pois, afinal, há que se ganhar, em tempos difíceis, o feijão com arroz. Há bocas a alimentar em casa, contas a pagar no final do mês, então, que me perdoe o próximo com seus talentos, capacidade e virtudes, certamente úteis se adequadamente aproveitadas em contexto condizente - mas, "primeiro, eu"!

E, assim, orientando-se sob essas diretrizes mesquinhas, alguém, em sã consciência, se dedicará a elogiar quem, ou o que quer que seja?

Trata-se de uma doença grave, com origem no ego e na estrutura social vigente nos dias atuais, que, infelizmente, brota com vigor no íntimo dos adultos responsáveis pela criação saudável dos filhos; alastra-se, dali, para a formação de personalidade deles, e, daí, materializando efeitos tristes, em proliferação geométrica, no meio onde são e serão chamados a viver, transmudado, a partir disso, numa selva feroz.

Do ambiente da escola onde o bullying violento oprime as diferenças, sem que o sistema pedagógico ainda tenha atinado com meios de orientar com eficiência para o se enaltecer as qualidades presentes em todos, à concorrência em concursos vestibulares discrepantes, nos quais quem têm mais chances de vencer são justo os mais bem aquinhoados materialmente, a quem foi dado a oportunidade de se frequentar os melhores colégios, até aos círculos profissionais de trabalho, onde o foco é se superar o outro a todo custo, visando cargos e salários vantajosos, o observável é que a singeleza quase cândida da Doutrina do Elogio vai por terra em mentes e comportamentos, pela desvantagem de, aparentemente, se ver destituída de utilidade no contexto das sociedades de hoje, nas quais as prioridades de ordem prática terminam por se impor no cotidiano de todos.

O que é preciso que se desperte no espírito da humanidade, todavia, é a compreensão definitiva de que o fracasso e a opressão sobre um será sempre o fracasso e a opressão sobre todos, mesmo acima e além do que possam sugerir todas as aparências. Porque ignorar conscientemente as virtudes alheias - existentes em todos, sem margens a dúvidas, apenas que somente mal aplicadas e aproveitadas - é pretender que a engrenagem simbiótica da vida prescinda de indivíduos robustos em motivação e realização própria; é iludir-se de que uma peça da engrenagem destituída de manutenção e cuidados não venha fatalmente prejudicar o bom andamento de todo o resto! É isolar-se em uma ilha ilusória de vantagens pessoais, esquecendo-se, convenientemente, - mas não por muito tempo - que fatores deverão existir para um contexto de trocas saudáveis que visem, inclusive, aos próprios interesses e necessidades mais simples, na hora de se alimentar, vestir, de se saciar a sede...

E, numa realidade mundial em que seus componentes não são peças de maquinaria fria, passíveis de manutenção fácil, mas seres humanos, cujos meandros íntimos são exclusivos e muito mais complexos, o desfecho certo e fácil a se depreender de um tal atraso de concepção e aplicação das Leis da Vida será o fracasso individual e coletivo, em prazo não muito distante!

Valorizemos os nossos semelhantes, como queremos que se faça a nós mesmos. Nos inúmeros setores da vida, busquemos soluções que ofereçam a todos adequação de qualidades, realização íntima na produtividade em comum. Façamos assim em quaisquer ambientes aos quais sejamos chamados a conviver. E, um dia, haveremos de confirmar que a amorável Doutrina do Elogio - a da valorização ostensiva de toda e qualquer manifestação da vida humana - será, sempre, o caminho mais curto, mais próspero, para a realização efetiva e crescente de uma humanidade mais feliz!


Publicado no site http://somostodosum.ig.com.br/clube/artigos.asp?id=41705

Christina Nunes
   
Médium psicógrafa das obras de autoria do espírito Caio Fábio Quinto, seu mentor espiritual, e de outros autores desencarnados. Dentre elas: O Pretoriano (Ed. Mundo Maior); Sob o Poder da Águia, Amparadores do Invisível, Pacto de Amor Eterno - Espírito Caio F. Quinto; Sonata ao Amor - Espírito Iohan (Lúmen Editorial). Ufóloga e colunista espírita
 
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