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quinta-feira, 26 de maio de 2016

SITUAÇÃO DO ESPÍRITO DESENCARNADO - Por Lúcia Loureiro


O transe da morte é sempre um estado de crise para qualquer indivíduo, variando conforme o adiantamento moral de cada um.


Daí a passagem do estado da matéria para a vida espiritual acarretar uma espécie de perturbação mais ou menos longa, até que se quebrem todos os elos entre o Espírito e sua organização física.


Essa crise é um fenômeno natural. Pensemos na hipótese de alguém ter de mudar, abruptamente, do Nordeste brasileiro para um país europeu ou vice versa. 

A mudança repentina implicaria um distúrbio tal no indivíduo, que este levaria algum tempo para se descondicionar do ambiente anterior e se adaptar às novas e diferentes condições de vida. 

Que diremos, então, da morte em que o fenômeno de desagregação do corpo processa uma modificação muito mais violenta? Além disso, vários fatores intervêm na situação do desencarnado logo após a morte: a idade em que ocorreu a desencarnação (jovem ou idoso?), o tipo de morte (natural ou violenta? ), se era apegado ou desprendido dos bens materiais, se tinha bons hábitos ou vícios inveterados, se possuía idéias materialistas ou espiritualistas. 

Daí a necessidade do adormecimento do Espírito, logo após o desprendimento do corpo físico, para se refazer do transe da morte.

Antes, porém, que o Espírito adormeça, ocorre o interessante fenômeno de recordação da vida passada, em que um panorama desfila ante seus olhos. 

Tem-se notícia de que, em fração de segundo, o Espírito revê, minuciosamente, todos os fatos da vida terrena que acabou de deixar, cena após cena, desde a infância até a desencarnação, desde o incidente mais insignificante até o acontecimento mais importante. 

Naquele momento, o Espírito é capaz de avaliar causas e consequências de todos os seus atos, sejam bons ou maus, como um registro para aproveitamento em vidas futuras. Só depois, sobrevêm o sono cujo tempo varia de Espírito para Espírito.

O juiz John Worth Edmonds, que era notável médium psicógrafo, falante e vidente, escreveu longa mensagem de seu amigo desencarnado, o juiz Peckam, a quem ele muito estimava. Nessa época ainda não era conhecido pelos psicólogos o fenômeno da visão panorâmica. Afirma, então, o Espírito Peckam:

No momento da morte, revi, como num panorama, os acontecimentos de toda a minha existência. Todas as cenas, todas as ações que eu praticara passaram ante meu olhar, como se se houvessem gravado na minha mentalidade, em fórmulas luminosas. 

Nem um só dos meus amigos, desde a minha infância até a morte, faltou à chamada. Na ocasião em que mergulhei no mar, tendo nos braços minha mulher, apareceram-me meu pai e minha mãe e foi esta quem me tirou da água, mostrando uma energia, cuja natureza só agora compreendo. (A Crise da Morte, de Ernesto Bozzano)

Por seu turno, o Espírito que em vida se chamou Dr. Horace Abraham Ackley relata como se passaram os primeiros momentos após o seu despertamento no Mundo Espiritual: Logo que voltei a mim, todos os acontecimentos de minha vida me desfilaram sob as vistas, como num panorama; eram visões vivas, muito reais, em dimensões naturais, como se o meu passado se houvera tornado presente. 

Foi todo o meu passado que revi, compreendido o último episódio: o da minha desencarnação. A visão passou diante de mim com tal rapidez, que quase não tive tempo de refletir, achando-me como que arrebatado por um turbilhão de emoções. A visão, em seguida, desapareceu com a mesma instantaneidade com que se mostrara; às meditações sobre o passado e o futuro, sucedeu em mim vivo interesse pelas condições atuais. (A Crise da Morte, de Ernesto Bozzano)

Muitas pessoas indagam: Como é possível alguém que passa por incontáveis "mortes", experimenta o estado de erraticidade e reencarna várias vezes, esquecer que existe o Mundo Espiritual? Explicam, então, os Espíritos codificadores que a situação de esquecimento ou perturbação nunca é definitiva. Ela é transitória, e a lembrança, mais ou menos rápida, das vidas anteriores dependerá do grau de evolução de cada Espírito. C. W. Leadebeater, em Auxiliares Invisíveis, comenta sobre o mal que os ensinamentos errôneos a respeito da condição do Espírito após a morte provocam na Humanidade, principalmente no mundo ocidental. 

Certas religiões assustam os seus adeptos, criando neles muita perturbação e surpresa quando chegam no Mundo Espiritual. Conta ele o exemplo de um inglês que, em uma mensagem transmitida três dias depois de morto, narrou que, encontrando um grupo de Espíritos amigos, perguntou:

— Mas, se eu estou morto, onde é que estou? Se isto é o céu, não me parece grande coisa; se é o inferno, é melhor do que eu esperava!Surpresa semelhante tem o Espírito Monsenhor Robert Hugh Benson. Relata ele, em A Vida nos Mundos Invisíveis, obra recebida pelo médium Anthony Borgia, que, durante todo o período que sucedeu a sua última desencarnação, nenhuma idéia lhe ocorrera sobre tribunal de julgamento ou juízo final como sugerira a religião ortodoxa. 

Esses conceitos e os de céu e inferno lhe pareceram totalmente impossíveis e, na realidade, fantasias absurdas.



Em A Vida no Outro Mundo, seu autor, Cairbar Schutel, combate a idéia de que nada existe após a morte e que se o Espírito não é imortal, (...) a vida é uma farsa que começa no berço e se acaba no túmulo. Como vimos anteriormente, os Espíritos levam consigo, para o Além-Túmulo, as qualidades boas ou más, todos os vícios e costumes e todos os conhecimentos e aptidões. Os criminosos vêem-se mergulhados em profundas trevas e só ouvem os lamentos de suas vítimas. 

Os suicidas só têm, na mente, o seu ato tresloucado. Allan Kardec, na Revista Espírita de maio de 1862, no capítulo intitulado Uma Paixão de Além-Túmulo, reporta-se ao suicídio, por amor, de um garoto de 12 anos de idade. Perguntado sobre sua situação, o jovem responde:

(. . .) Meu corpo lá estava inerte e frio e eu planava em volta dele; chorava lágrimas quentes. Vocês se admiram das lágrimas de uma alma. Oh! Como são quentes e escaldantes! Sim, eu chorava, porque acabava de reconhecer a enormidade de meu erro e a grandeza de Deus!. . . Entretanto, não tinha certeza de minha morte; pensava que meus olhos se fossem abrir . . .

O sofrimento dos Espíritos desencarnados é proporcional ao tipo de vida que levaram e ao maior ou menor apego que tenham à vida material. Durante a crise da morte, eles lutam para reter a vida corporal que lhes foge, e esse sentimento se prolongará por muito tempo. 

Aqueles muito ligados à vida material erram pelas vizinhanças do lar e do local do trabalho; julgam-se ainda vivos e pretendem participar dos negócios de que se ocupavam quando encarnados. Os viciados e libertinos continuam a sentir enorme ansiedade e procuram a convivência de devassos que lhes saciem os apetites sexuais e os vícios. O avarento fica em estado de angústia, por não poder impedir que os herdeiros esbanjem a fortuna amealhada durante a vida terrena.

Em Primeiras Impressões de Um Espírito, mensagem transmitida pelo Espírito Delphine de Girardin à médium Sra. Gostel na Sociedade Espírita de Paris, consta, dentro da sua perspectiva, o seguinte: Falarei da estranha mudança que se opera no Espírito após a libertação. 

Ele se evapora dos despojos que abandona, como uma chama se desprende do foco que a produziu; depois se dá uma grande perturbação e essa dúvida estranha: estou morto ou vivo? A ausência das sensações primárias produzidas pelo corpo espanta e imobiliza, por assim dizer. 

Assim como um homem habituado a um fardo pesado, nossa alma, aliviada de repente, não sabe o que fazer de sua liberdade; depois o espaço infinito, as maravilhas sem número dos astros, sucedendo-se num ritmo harmonioso, os Espíritos solícitos, flutuando no ar e deslumbrantes de luz sutil que parece atravessá-los, o sentimento da libertação que inunda, de súbito, a necessidade de lançar-se também, no espaço como pássaros que querem treinar suas asas, tais são as primeiras impressões que todos nós sentimos. (Revista Espírita, de Allan Kardec, novembro de 1860, n° 11)

Temos informações, através de várias mensagens, que, no Além, assim como no Aquém, existem vagabundos, saltimbancos e fanfarrões. Existem, da mesma maneira, aqueles que se propõem a auxiliar os companheiros atrasados e, ainda, os que preferem trabalhar pelo seu próprio aprimoramento. Sócrates e Platão disso já tinham conhecimento e afirmavam:

A alma impura, nesse estado, encontra-se pesada, é novamente arrastada para o mundo visível, pelo horror do que é invisível e imaterial. Ela erra, segundo se diz, ao redor dos monumentos e dos túmulos, juntos dos quais foram vistos, às vezes fantasmas, como devem ser as imagens das almas que deixaram o corpo sem estar inteiramente puras, e que conservam alguma coisa de forma material, o que permite aos nossos olhos percebê-las. 

Essas não são as almas dos bons, mas as dos maus, que são forçadas a errar nesses lugares, onde carregam as penas de sua vida passada, e onde continuam a errar, até que os apetites inerentes às suas respectivas formas materiais façam-nas devolver a um corpo. Então, elas retornam, sem dúvida aos mesmos costumes que, durante a vida anterior, eram de sua predileção. (O Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec)

Como Deus não se compraz com o sofrimento eterno de seus filhos, passada uma fase de depuração dos fluidos mais densos, sobrevêm ao Espírito o sono reparador a que estão sujeitos todos os recém-chegados ao Mundo Espiritual. 

Nesse momento, Espíritos amigos e familiares recolhem os recém-desencarnados e os levam para as diversas estações de repouso. Ao despertar desse sono — que pode variar de horas a séculos —, o Espírito desencarnado começa a perceber o que está em sua volta. Surpreende-se ao encontrar um ambiente muito semelhante ao da Terra. Por esse motivo, muitos pensam que ainda estão vivos.

E, só a partir de uma tomada de consciência da realidade em que se encontram, surgirão para eles novas oportunidades: estudos, tarefas, trabalho assistencial, tudo de acordo com o seu adiantamento espiritual, sua capacidade e suas necessidades. 

Comentando as palestras familiares que estabelece com o Além-Túmulo, Allan Kardec diz a respeito da desencarnação:

Extinguindo-se as forças vitais, o Espírito se desprende do corpo no momento em que cessa a vida orgânica. Mas separação não é brusca ou instantânea. Por vezes começa antes da cessação completa da vida; nem sempre é completada no instante da morte. Sabemos que entre o Espírito e o corpo existe um liame semi-material, que constitui o primeiro envoltório. Este liame não se quebra subitamente. 

E, enquanto subsiste, fica o Espírito num estado de perturbação comparável ao que acompanha o despertar.



(. . .) ao entrar no mundo dos Espíritos é acolhido pelos amigos que o vêm receber, como se voltasse de penosa viagem. Se a travessia foi feliz, isto é, se o tempo de exílio foi empregado de maneira proveitosa para si e o elevou na hierarquia do mundo dos Espíritos, eles o felicitam. Ali reencontra os conhecidos, mistura-se aos que o amam e com ele simpatizam, e então começa, para ele, verdadeiramente, a sua nova existência. (Revista Espírita, abril de 1959, no 4, de Allan Kardec)

Na erraticidade, o Espírito não adquire, imediatamente, o saber e a virtude; antes, conserva sua inteligência ou ignorância, idéias, concepções, ódios ou afeições. O que se abala com o desligamento do corpo é a memória, e a sua lucidez retornará segundo o nível moral do desencarnado e à medida que se apagam as impressões terrenas. 

Se o Espírito errante tem bons propósitos, ele progride nos aspectos intelectual, moral e espiritual, podendo trazer-nos, mais tarde, as notícias das Colônias Espirituais onde estagiou, uma vez que, enquanto recebe tratamento no corpo perispiritual, o Espírito desencarnado se instrui.

Devido à diversidade de nossos caracteres, — aptidões, sentimentos, vícios, virtudes e hábitos — as condições de vida no Além são de uma diversidade infinita, daí as diferenças no conteúdo das mensagens. 

Existem, também, Espíritos tão evoluídos e depurados (Espíritos puros ou perfeitos) sobre os quais a Terra não mais exerce atração. Estes habitam as regiões menos densas e só reencarnam para cumprir missões especiais, como aconteceu com Jesus, Buda e Confúcio, além de outros grandes missionários.

Todavia, há Espíritos que não se incorporam a nenhum movimento nobre; vivem na Terra da Liberdade que é uma região, segundo informam os Espíritos, próxima à crosta terrestre, onde os desencarnados se entregam a mais completa indisciplina. 

Cada um faz o que quer e age de acordo com o livre-arbítrio, sem quaisquer restrições morais. A tônica de suas vidas é a liberalidade. Muitas vezes, reencarnam sem passar por estágios nas Colônias de recuperação e sem analisarem as vidas anteriores. Nos Mundos Espirituais superiores, os Espíritos continuam a agir dentro do seu livre-arbítrio, porém de acordo com padrões morais elevados.

Segundo Allan Kardec, ao tratar dos Possessos de Morzine: Sendo a Terra um mundo inferior, isto é, pouco adiantado, resulta que a imensa maioria dos Espíritos que a povoam tanto no estado errante, quanto no de encarnados, deve compor-se de Espíritos imperfeitos, que fazem mais mal que bem. Daí a predominância do Mal na Terra. 

Ora, sendo a Terra, ao mesmo tempo, um mundo de expiação, é o contato do Mal que torna os homens infelizes, pois se todos os homens fossem bons, todos seriam felizes. E' um estado ainda não alcançado por nosso globo; e é para tal estado que Deus quer conduzi-lo. Todas as tribulações aqui experimentadas pelos homens de bem, quer da parte dos homens quer da dos Espíritos, são consequências deste estado de inferioridade. 

Poder-se-ia dizer que a Terra é a Botany-Bay dos mundos: aí se encontram a selvageria primitiva e a civilização, a criminalidade e a expiação. (Revista espírita, de Allan Kardec, n2 12, dezembro de 1862 )

Assim, o fundamental para nós é saber que a Terra nada mais é que um pálido reflexo do Mundo Espiritual e que ambos se encontram na mesma faixa vibratória. Allan Kardec, em mensagem transmitida, após a sua morte, na residência de Miss Anne Blackwell, em Paris, em 14 de setembro de 1869, confirma os ensinamentos que em vida recebeu dos Espíritos em palestras familiares: Sou tão feliz como nem podeis pensar, meus bons amigos, por vos encontrar reunidos. Estou entre vós, numa atmosfera simpática e benevolente, que agrada ao mesmo tempo o meu espírito e o meu coração. Há muito tempo que eu desejava ardentemente o estabelecimento de relações regulares entre a escola francesa e a escola americana.

(... ) O Espíritos conservam no Espaço suas simpatias e seus hábitos terrenos. Os Espíritos dos americanos mortos são ainda americanos, como os desencarnado que viveram na França são ainda franceses no Espaço. Daí as diferenças dos ensinos em alguns centros. Cada grupo de Espíritos, por sua própria natureza, por seu espírito nacional, apropria suas instruções ao caráter, ao gênio especial daqueles que o dirigem. (Revista Espírita, de Allan Kardec, na 6, junho de 1869)

Sendo assim, conclui-se que o processo da morte não é necessariamente doloroso, embora, muitas vezes, os que presenciem o desenlace de algum amigo ou parente observem a luta do moribundo para conservar o Espírito no corpo. Aos olhos físicos a impressão é de a pessoa estar sofrendo intensamente, mas essa se constitui, apenas, uma visão terrena, dos que ainda permanecem do lado de cá. A realidade é bem outra.

1 - Sensações nos Espíritos Errantes

Tratando do momento em que o Espírito deixa o corpo e penetra no Mundo Espiritual, Allan Kardec lhes analisa, em vários artigos da Revista Espírita, as sensações e o desenvolvimento das idéias. Muitas perguntas lhe tinham sido feitas, como: Sofrem os Espíritos? Que sensação experimentam? Em O Livro dos Espíritos, o codificador da Doutrina Espírita dedica um longo capítulo a esse tema e que tem por título Ensaio Teórico Sobre as Sensações nos Espíritos. Responde ele, então, com base em informações dos Espíritos e, principalmente, em suas próprias observações e nos estudos das funções do perispírito:

Ensina-nos a experiência que, no momento da morte, o perispírito se desprende, mais ou menos lentamente do corpo; durante os primeiros instantes o Espírito não se dá conta da situação; não se julga morto; sente-se vivo; vê o corpo ao lado, sabe que é seu, mas não compreende que do mesmo esteja separado. Esse estado dura enquanto existe uma ligação entre o corpo e o perispírito.

Recordemos a evocação do suicida da casa de banhos da Samaritana, (. . .) Como todos os outros , ele dizia: "(. . .) entretanto sinto que os vermes me roem". Ora, seguramente, os vermes não roem o perispírito e, ainda menos, o Espírito; apenas roem o corpo. Mas como a separação entre corpo e Espírito não era completa, o resultado era uma espécie de repercussão moral que lhe transmitia a sensação do que passava no corpo. Repercussão talvez não seja o vocábulo, o qual poderia fazer supor um efeito muito material: era antes a visão daquilo que se passava em seu corpo, ao qual estava ligado o seu perispírito que lhe produzia uma ilusão, que tomava como realidade. (Revista Espírita, de Allan Kardec, n° 11, novembro de 1858)

Dessa forma, as sensações agradáveis são transmitidas ao Espírito, assim como as desagradáveis. Em suas pesquisas, Allan Kardec entrevistou milhares de Espíritos que pertenceram a todas as camadas sociais e a todas as posições, seguindo-lhes os passos desde a desencarnação, a fim de estudar as mudanças que sofreram na vida além-túmulo. Nos planos inferiores da Espiritualidade, os Espíritos manifestam desejos e apetites. Já o mesmo não se dá com aqueles cujo perispírito é menos denso.

2 - Alimentação dos Espíritos

Se as pessoas duvidam que os Espíritos se vestem, que pensarão elas a respeito da existência de alimentos no Mundo Espiritual? Entretanto, os Espíritos errantes sentem fome. Na maioria das vezes, os desencarnados, logo após o desligamento do corpo físico, são atormentados pelo desejo de satisfazerem suas necessidades fisiológicas, como sede e fome incontroláveis. Para atendimento dessas necessidades básicas, afirmam os Espíritos que existem fábricas de concentrados de frutas e sopas sujeitos à manipulação específica da Espiritualidade.

Nos hospitais das Colônias, alimentos são fornecidos aos enfermos, a fim de se revigorarem. Esses manjares espirituais, segundo informações do Outro Mundo, possuem gosto e aroma que não têm similar na Terra. Nos centros de reeducação para onde são conduzidos os Espíritos recém-chegados do Umbral, faz parte do tratamento a ingestão, pelos enfermos, de alimentos semelhantes aos terrenos, porém menos densos, até que se adaptem a sistemas de sustentação das Esferas Superiores. Allan Kardec transcreve a mensagem do Espírito Cura de Bizet que se sentiu chocado com as cenas que presenciou no Mundo Espiritual:

Se não vim imediatamente ao vosso meio, é que a perturbação da separação e o espetáculo novo com que fui chocado não mo permitiram. E, depois, não sabia a quem escutar; encontrei muitos amigos cujo acolhimento simpático me ajudou poderosamente a me reconhecer; mas também tive sob os olhos o atroz espetáculo da fome entre os Espíritos. Encontrei lá em cima muitos desses infelizes, mortos nas torturas da fome, ainda procurando em vão satisfazer uma necessidade imaginária, lutando uns contra os outros para arrancar um pedaço de comida que se esconde nas mãos, se entrerasgando e, se assim posso dizer, se entredevorando; uma cena horrível, pavorosa, ultrapassando tudo quanto a imaginação humana pode conceber de mais desolador! . . . ( Revista Espírita, de Allan Kardec, n° 6, junho de 1868)

Em Memórias de um Suicida, psicografado por Yvonne A. Pereira, um Espírito que fora hospitalizado na Colônia, relata o seguinte: A cada um de nós foi servido delicioso caldo, tépido, reconfortante em pratos tão alvos quanto os lençóis; e cada um sentiu o sabor daquilo que lhe apetecia. Fato singular: enquanto fazíamos a refeição frugal, era o lar paterno que acudia às nossas lembranças, as reuniões em família, a mesa da ceia, o doce vulto de nossas mães servindo-nos,

O Espírito André Luiz declara na obra Nosso Lar que, recém-chegado ao Mundo Espiritual, recebeu igual tratamento: A essa altura, serviram-me caldo reconfortante, seguido de água muito fresca, que me pareceu portadora de fluidos divinos. Aquela reduzida porção de líquido reanimava-me inesperadamente. Não saberia dizer que espécie de sopa era aquela; se alimentação sedativa, se remédio salutar. Entretanto, segundo colocações deste mesmo Espírito, não só os convalescentes têm necessidade de alimentos. Os trabalhadores das Colônias recebem, regularmente, a sua cota de provisões:

Cada habitante de Nosso Lar recebe provisões de pão e roupa, no que se refere ao estritamente necessário; (. . .). Situação bastante curiosa é essa necessidade de os Espíritos reberem alimentos já manufaturados, exatamente como ocorre na vida terrestre, uma espécie de cesta básica que os setores públicos socialistas costumam fornecer à população. Mais tarde, em Evolução em Dois Mundos, obra psicografada pelos médiuns Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira, o Espírito André Luiz se propõe a uma avaliação científica de como se verifica a alimentação dos Espíritos desencarnados, da qual destacamos alguns trechos:

Encarecendo a importância da respiração no sustento do corpo espiritual, basta lembrar a hematose no corpo físico, pela qual o intercâmbio gasoso se efetua com segurança, através dos alvéolos, nos quais os gases se transferem do meio exterior para o meio interno e vice-versa, atendendo à assimilação e desassimilação de variadas atividades químicas no corpo orgânico. O oxigênio que alcança os tecidos entra em combinação com determinados elementos, dando, em resultado, o anidrido carbônico e a água, com produção de energia destinada à manutenção das províncias somáticas. (...)

Abandonando o envoltório físico na desencarnação, se o psicossoma está profundamente arraigado às sensações terrestres, sobrevêm ao Espírito a necessidade inquietante de prosseguir atrelado ao mundo biológico que lhe é familiar, e, quando não a supera ao peso do próprio esforço, no auto-reajustamento, provoca os fenômenos da simbiose psíquica, que o levam a conviver, temporariamente, no halo vital daqueles encarnados com os quais se afine, quando não promove a obsessão espetacular.

O Espírito David Hatch, autor da obra Cartas de um Morto Vivo, recebida pela médium Elsa Barker afirma que, de acordo com a sua visão do Mundo Espiritual, uma das coisas que mais interessa aos desencarnados é a alimentação. Assegura que os Espíritos errantes comem e bebem; absorvem, principalmente, muita água, pois é um ótimo alimento para o perispírito que capta sua ação benéfica. Informa que os corpos perispirituais se encontram impregnados de umidade. Muitos Espíritos já informaram que a água tem imenso valor no Mundo Espiritual. E esse líquido poderoso veículo de fluidos de qualquer natureza, sendo utilizado, também, como medicação. Segundo ele, já sentira, certa feita, a ação magnética da água que lhe provocou um delicioso e revigorante bem estar.

Reporta-se o Espírito David Hacht a um encontro com um jovem desencarnado que recepcionou a noiva ao desencarnar. Durante os primeiros dias após a desencarnação, a moça, ainda subjugada pelos hábitos terrenos, queixava-se continuamente de fome; ele tentava satisfazê-la dando-lhe uma substância tênue como alimento. Outra experiência interessante foi a que vivenciou ao conhecer certa senhora desencarnada que lhe fez, entre outras queixas da sua vida no Além, a mais esquisita — confessa — que ouvira. Inquirindo a nova conhecida sobre sua atual estada, recebe a seguinte revelação:

— Olha, primeiro que tudo acho essa gente horrível. Lembro-me ainda de pensar, quando vivia em... que ao menos no Outro Mundo não iria encontrar donas de pensões, nem as competentes criadas e descuidadas e preguiçosas, e afinal aqui são absolutamente a mesma coisa, se não forem piores. (Cartas de Um Morto Vivo, de Elsa Barker) Surpreso com tais respostas e tão intrigantes revelações, insiste o Espírito David Hacht com mais perguntas ao que a senhora responde no mesmo tom, estabelecendo-se o seguinte diálogo:

DH — Que me diz! Pois vive aqui numa pensão?
E — Onde quer que eu viva? Bem sabe que não sou rica. (...)
DH — Que tal é a mesa na sua pensão? E — É pior do que na última onde estive na Terra.
DH — As refeições são pouco abundantes?
E — São pouco abundantes e não prestam, sobretudo o café.
DH — Diga-me uma coisa, servem-lhe aqui as três refeições a que estava habituada na Terra?
E — O senhor tem uma maneira estranha de se exprimir. Não noto nenhuma diferença especial entre este mundo e a Terra, como lhe chamam, a não ser a falta de conforto, por tudo ser inconstante e incerto.
DH — Isso mesmo, continue.
E — De manhã nunca sei ao certo quem estará sentado ao meu lado à tarde. Andam num constante vai-vem.
DH — E que come?
E — As coisas do costume - carne e batatas, pastéis e pudins.
DH — Continua ainda a comer isso?
E — Pois claro; o senhor não come?



Eis, aí, portanto, a situação de um Espírito profundamente condicionado à vida que levou na Terra, de tal modo que nenhuma explicação o faria entender que não mais precisava se preocupar com certas questões tão insignificantes. Fato curioso no campo da alimentação é narrado pelo Espírito Monsenhor Robert Hugh Benson, na obra A Vida nos Mundos Invisíveis, quando visitou, com seu grupo de pesquisa, levado pelo anfitrião, um pomar muito bem cuidado:

As frutas eram perfeitas na forma, ricas em cor, e pendiam em grandes cachos. Colheu algumas e ofereceu-nas, assegurando que nos fariam bem. Eram frescas ao tato e notavelmente pesadas para seu tamanho; o sabor, delicioso, a polpa, macia, sem ser difícil nem desagradável de tocar, e uma quantidade de suco semelhante ao néctar, escorria delas. 

Meus dois amigos observavam-me atentamente enquanto eu comia umas ameixas, ambos revelando uma expressão de jovial expectativa. Sendo abundante o suco, que temia que escorresse sobre minha roupa. Escorria sim, mas não a manchava, o que me maravilhou, provocando o riso de meus amigos. Apressaram-se, então, a explicar que, estando eu num mundo incorruptível, tudo quando não se aproveita é imediatamente devolvido ao elemento de origem. (. . .)

As frutas daquele pomar não eram apenas para os que necessitassem de algum tratamento após a morte física, mas estavam à disposição de quem quer que os desejasse comer pelo seu efeito estimulante. Na obra que ditou ao médium Isaltino Barbosa — Um Espírito Através do Cosmo — o Espírito Castro Lopes, extasiado com Mundo Espiritual, descreve seus frutos como... (. . .)proporcionais às árvores em que são gerados, de sabor delicadíssimo e alguns semelhantes aos da Terra como a melancia e a laranja.

Todavia, os Espíritos chamam a atenção dos encarnados para o fato de que, nas faixas superiores da Espiritualidade, o corpo não tem necessidade de alimentação, no sentido que entendemos. À proporção que se aproxima das esferas mais elevadas, o Amor, que é o verdadeira substância de nutrição das almas, torna-se mais intenso e menos denso, constituindo-se no maior sustentáculo das criaturas. Daí o preceito evangélico: Amai-vos uns aos outros.

3 - Vida Sexual dos Espíritos

Após a desencarnação, homens e mulheres continuam, no perispírito, com os órgãos sexuais, mas estes não conservam as mesmas funções que possuíam na Terra. Todos os Espíritos errantes nutrem os sentimentos e emoções inerentes à sua condição. 

O que não há, evidentemente, é a procriação. Isso só ocorre no plano terrestre, onde as Leis Divinas impulsionam o macho e a fêmea, através do instinto e do amor, a colaborar na criação. Entretanto, a problemática sexual continua, não no sentido terreno, pois todos se encontram desembaraçados do corpo físico; não desaparece, uma vez que é a fonte da vida.

Como regra geral, o Espírito, ao desencarnar, conserva, na erraticidade, a forma perispiritual da última encarnação. Talvez, por algum condicionamento ou necessidade, o Espírito permaneça na condição de homem ou mulher. Informa o Espírito Silveira Sampaio, na obra O Mundo em que Eu Vivo, psicografado por Zíbia M. Gasparetto, que alguns desencarnados têm extrema dificuldade de mudar qualquer característica física da última encarnação. Todavia, como regra geral, os Espíritos errantes podem manipular o perispírito a seu bel-prazer e de acordo com as lembranças de vidas passadas que mais lhes agradarem.

O Espírito Johannes, que não aceita as leis reencarnacionistas, dá, na obra Rumo às Estrelas, de autoria de Herbert Dennis Bradley, o seu parecer a respeito da diferença de sexos: Nenhum dos dois (masculino ou feminino) é superior ou inferior ao outro. Tais explicações não podem aplicar-se às metas de um todo. A mulher é a mesma coisa aqui e aí. E o poder que cria os ideais do homem. E o grande ser criador, não só de novos seres, como de novos pensamentos. Sua responsabilidade é ainda maior que a do homem. Não somente a mulher dá ser aos filhos, como realmente cria os altos ou baixos ideais do ser masculino (. . .).

A mulher sobrevive como alma feminina; o homem como alma masculina. Devo observar, porém, que o que na Terra chamais amor nada tem a ver com isto. O Amor existe de muitas maneiras.O Sexo é uma lei; o Amor uma inspiração. Compreendei a distinção e nunca os confundais. No dia 25 de abril de 1862, em reunião na Sociedade Espírita de Paris, o Espírito J. Sanson, recém-desencarnado, evocado por Allan Kardec, dá a sua explicação sobre o assunto:

P. Os Espíritos não têm sexo. Entretanto, como ainda há poucos dias séreis um homem, tendes neste novo estado uma natureza mais masculina do que feminina? Acontece o mesmo com o Espírito que tivesse deixado seu corpo há muito tempo?
R. Não temos de possuir natureza masculina ou feminina: os Espíritos não se reproduzem. Deus os criou pela sua vontade, e se, nos seus maravilhosos desígnios, quis que os Espíritos se reencarnem na Terra, teve de acrescentar para isso a reprodução das espécies por meio das condições próprias do macho e da fêmea. Mas vós o sentis, sem necessidade de nenhuma explicação — os Espíritos não podem ter sexo. (O Céu e o Inferno, de Allan Kardec) Melhores esclarecimento temos em O Livro dos Espíritos, na resposta que Allan Kardec obtém dos Espíritos à pergunta 201:

P. O Espírito que animou o corpo de um homem, em nova existência pode animar o de uma mulher e vice-versa?
R. Sim, são os mesmos Espíritos que animam os homens e as mulheres.
Os Espíritos se encarnam homens ou mulheres porque eles não têm sexo. Como devem progredir em tudo, cada sexo, como cada posição social, lhe oferece provas e deveres especiais, além da oportunidade de adquirir experiência. Aquele que fosse sempre homem não saberia senão o que sabem os homens.

Outra informação interessante a respeito do sexo dos Espíritos é encontrada na Revista Espírita, de Allan Kardec, publicada em janeiro de 1866: Os sexos só existem no organismo. São necessários à reprodução dos seres materiais. Mas os Espíritos, sendo criação de Deus, não se reproduzem uns pelos outros, razão por que os sexos seriam inúteis no Mundo Espiritual. (...) Aos homens e às mulheres, são, assim, destinados deveres especiais, igualmente importantes na ordem das coisas; são dois elementos que se completam um pelo outro.

Na obra O Sexo Além da Morte, seu autor, R. A. Ranieri, através de desdobramentos, visita zonas da Espiritualidade em que se encontram criaturas profundamente envolvidas com problemas sexuais que lhes impedem a marcha ascensional. Segundo suas observações, estão elas de tal forma arraigadas às práticas aberrantes e viciosas, que apresentam o perispírito totalmente deformado. 

São Espíritos errantes que abusaram do sexo e que continuam, após a desencarnação, com os mesmos hábitos. Condicionados a práticas libidinosas, vivem nos bordéis terrenos, usufruindo dos prazeres sexuais, juntamente com os encarnados com que têm afinidade, em processos obsessivos recíprocos.

Nestes Espíritos, denominados de vampiros pelo professor J. Herculano Pires, os apelos sexuais são tão intensos, que os desequilibram psiquicamente; as entidades denominadas de íncubos e súcubos(ÍNCUBOS: seres espirituais, com características masculinas, que mantêm relações sexuais com mulheres; no seu oposto estão os SÚCUBOS, que seduzem os homens.), responsáveis por terríveis obsessões, pertencem a essa categoria. 

Na obra Sexo e Destino, ditada pelo Espírito André Luiz, através dos médiuns Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira, temos informação da existência do Hospital-escola Almas Irmãs. Instituição destinada a socorrer Espíritos desencarnados de todas as idades e de ambos os sexos, necessitados de reeducação sexual, está sediada em quatro quilômetros quadrados de edifícios e arruamentos, parques e jardins.

É, na realidade, uma pequena cidade. Levado pela curiosidade, o Espírito André Luiz pede informações ao instrutor Neves a respeito do Instituto. Esclareceu, então, que a agremiação possuía uma diversidade de habitantes: desde os alienados reclusos em manicômios até os remanescentes de tragédias passionais já pacificados e de aparência hígida. 

No Hospital-escola os enfermos têm, como tema central de estudos, o sexo, pesquisado e enobrecido nas inúmeras Faculdades de ensino e desdobrado em especialidades, tais como: sexo e amor; sexo e matrimônio; sexo e maternidade, sexo e estímulo, sexo e equilíbrio; sexo e medicina; sexo e evolução; sexo e penalogia.

Podemos deduzir das informações dos Espíritos que, no Além-Túmulo, continuam a atração sexual, os ciúmes e outros sentimentos, bem mais intensos entre os insensatos que cometem sua dose de insensatez antes de atingir estádios elevados de desenvolvimento.

Em Cartas de um Morto Vivo, o Espírito David Hacht depara com um desencarnado que casara duas vezes na Terra. Estando todos desencarnados, viviam as esposas em litígio a reclamar a posse do marido que não tinha sossego. O marido, por sua vez, sentia-se, ainda, atraído pela segunda esposa e, de alguma forma, afeiçoado à primeira. O Espírito David Hacht se torna muito amigo deste trio singular.

Conta ele que, certa feita, as esposas lhe solicitaram o arbítrio: Com qual delas deveria o esposo ficar? Lembrou-se, então, da resposta do Cristo aos saduceus a uma pergunta semelhante: Quando ressuscitarem de entre os mortos, não casarão, nem serão pedidos em casamento; devem ser como anjos do Céu. Querendo que eles entendessem que, na condição em que se encontravam, não deveria haver o sentimento de posse e nem utilizariam os órgãos sexuais com a mesma finalidade do casamento terreno.

Nos planos superiores da Espiritualidade, não existe o sexo como vulgarmente conhecemos, porém, objetivando o programa reencarnacionista, realizam-se planejamentos de uniões de almas, a fim de criar oportunidades de burilamento e progresso. Nos seus relatos, os Espíritos errantes falam dos diálogos que os futuros esposos mantêm em seus passeios pelos jardins das Colônias Espirituais a projetar as próximas encarnações.

4 - Sentimentos e Emoções nos Espíritos desencarnados

Os diversos sentimentos e emoções, positivos ou negativos, cultivados pela humanidade terrena se transferem para a Mundo dos Espíritos. Isso já se deduz de tudo quanto vimos em temas aqui tratados anteriormente. O ódio, o orgulho, a inveja, a avareza, a luxúria, a dedicação, a tristeza, a fraternidade, a alegria entre outros. Até mesmo lágrimas os desencarnados derramam para manifestar o que lhes vai no íntimo.

Os Espíritos comunicantes insistem em esclarecer aos que ainda permanecem na Terra sobre a situação dos desencarnados no Mundo Espiritual. Já Foi dito que a diversidade de caracteres é infinita, a depender de cada indivíduo, de suas vidas anteriores, das atitudes e hábitos que conservou. Encontramos, na Revista Espírita, de Allan Kardec, em seu n° 4, de abril de 1859 os seguintes esclarecimentos:

Há sensações que têm por fonte o próprio estado dos nossos órgãos. Ora, as necessidades inerentes ao corpo não e podem verificar desde que não exista mais corpo. Assim, pois, o Espírito não experimenta nenhuma fadiga, como nenhuma das nossas enfermidades. As necessidades o corpo determinam necessidades sociais, que para eles não existem. Assim não mais existem as preocupações dos negócios, as discórdias, as mil e umas tribulações do mundo e os tormentos a que nos entregamos para nos proporcionarmos as necessidades ou as superfluidades da vida. Eles têm pena do esforço que fazemos por causa de futilidades. Entretanto, quanto mais felizes são os Espíritos elevados, tanto mais sofrem os inferiores.

Mas esses sofrimentos são angústias; e, embora nada tenham de físico, nem por isso são menos pungentes: eles têm todas as paixões e todos os desejos que tinham em vida (referimo-nos aos Espíritos inferiores) e seu castigo é o de não poder satisfazê-los. Isto é para eles uma tortura que julgam eterna, porque sua própria inferioridade não lhes permite ver o término, o que é para eles um castigo.

Faz parte do aprendizado dos estudantes desencarnados a observação de comportamento dos Espíritos na erraticidade. Há os que alcançaram um equilíbrio e se dedicam à obras beneficentes, como, também, os apegados aos locais de opróbrio e de vícios. Os que abusam do álcool rondam as tabernas terrenas, imantados a encarnados que abusam da bebida. Outros arrastam, durante longos períodos, sofrimentos intoleráveis, criados pela própria mente dementada. Conservam sentimentos vis; continuam a mentir e a instigar conflitos entre os encarnados.

Suas feições, assim como todo o corpo, tomam características hediondas que, segundo informações do Mundo Espiritual, causam pavor. São Espíritos malignos que espalham a sua perversidade, contaminando os desavisados que se encontram, de qualquer forma, impregnados de sentimentos inferiores e paixões repugnantes. Alimentam-se eles de emanações venenosas desprendidas da excitação colérica e dos fluidos animalizados dos seus semelhantes. Esses Espíritos necessitam, quase sempre, de um tratamento nos dois planos — espiritual e terreno — através de uma doutrinação segura e constante.

Yvonne A. Pereira, em Recordações da Mediudade, dedica o capítulo 10 ao problema das obsessões resultantes do assédio dos Espíritos sobre os encarnados e alerta para a importância do trabalho e esclarecimento e reabilitação que deve ser realizado por especialistas no assunto. Diz ela que:

Um dos mais belos estudos que o Espiritismo faculta aos seus adeptos é, certamente, aquele a que os casos de obsessão nos arrastam. Temos para nós que esse difícil aprendizado, essa importante ciência de averiguar obsessões, obsessores e obsidiados deveria constituir especialidade entre os praticantes do Espiritismo, isto é, médiuns, residentes de mesa, médiuns denominados passistas, etc. assim como existem médicos pediatras, oculistas, neurologistas, etc., etc., também deveriam existir espíritas especializados nos casos de tratamento de obsessões, visto que a estes será necessária uma dedicação absoluta a tal peculiaridade da Doutrina, para levar a bom termo o mandato.

Tal ciência, porém, não se poderá limitar à teoria, e querendo antes paciente e acurada observação em torno dos casos de obsessão que se apresentem no limite de Ação de cada um, pois é sabido que a observação pessoal, a prática no exercício do sublime mandato espírita enriquece de tal forma os nossos conhecimentos em torno de cada caso com que nos defrontamos que, cada um deles, ou seja, cada obsidiado que se nos depare em nossa jornada de espíritas, constituirá um tratado de ricas possibilidades de instrução e aprendizado, visando à cura, quando a cura seja possível.

O Espírito David Hacht, em Cartas de um Morto Vivo, apresenta um caso de avareza; espetáculo repulsivo que presenciara de um desencarnado. Narra o fato e analisa as consequências da ambição no Mundo Espiritual. Assistiu ele a um... (. . .) avarento a contar o seu dinheiro, e vi os olhares terríveis dos Espíritos espreitando avidamente o seu menor movimento. O ouro possui uma influência especial além do seu poder de aquisição e de tudo que se lhe acha ligado. Há Espíritos que amam o ouro como o avarento, com a mesma paixão avassalante, ambiciosa, que nada satisfaz.

Entretanto, no Além-Túmulo há, também, aqueles que dedicam seu tempo ao auxílio e ao progresso geral, pois já cultivam bons sentimentos, como o Amor, a Caridade e a Fraternidade. Entre eles não há lugar para a inércia e a preguiça. 

A prece, o trabalho, a alegria e os ideais superiores fazem parte do seu cotidiano. São os benfeitores do Espaço, aliados das Esferas Superiores, que recebem a tarefa de instruir Espíritos mais atrasados e aspiram à dignidade do Mestre Jesus.


Lúcia Loureiro -  Publicado no site www.acasadoespiritismo.com.br/

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

A DOUTRINA DO ELOGIO - Por Christina Nunes

Elogiar é atitude que, quando revestida de sinceridade, honestidade de intenções, se associa naturalmente ao exercício do amor confraterno, tão necessário em todos os tempos para que as sociedades humanas, imbuídas da noção exata do valor da vida, progridam gradativamente do estado da barbárie egoística até ao nível do homem situado em patamares de ordem espiritual evolutiva superiores.


Nada obstante, singular a percepção de que, na medida em que o mundo avança em conquistas materiais e tecnológicas, a simplicidade suprema desta verdade aparentemente se perca da capacidade do ser humano para apreendê-la em seu íntimo, e aplica-la em benefício próprio e no dos semelhantes que o cercam.




"Valorizemos os nossos semelhantes, como queremos que se faça a nós mesmos"

Lembro-me de dois episódios dos quais retive marcante impressão, embora em níveis paradoxais: da lição positiva deixada por uma senhora distinta do meu conhecimento, durante breve diálogo no decorrer de um dia de trabalho, tanto mais porque, de índole, me dedico a pratica-la, na medida de minhas possibilidades, podendo constatar a sua eficácia natural; e de algo ouvido também em outra conversa casual, muitos anos antes, de pessoa da qual me surpreendeu grandemente as diretrizes das atitudes, tanto mais por ser benquista, e repercutida como indivíduo devotado ao exercício amável e confraterno nos relacionamentos.

A primeira personagem - a senhora gentil - comentou que criou seus filhos "na base do elogio". Mas, não entendam a assertiva com base no elogio irresponsável e imerecido. Aludiu, ela, ao incentivo saudável, idôneo, das qualidades verificadas naqueles que nos foram confiados à responsabilidade de pais e mães que sabem também o modo correto de orientar e lapidar as facetas necessitadas de reformulação nos caráteres em formação dos pequenos.

É o se aplaudir o bom coração, a tendência por vezes prestativa, espontânea, nas iniciativas dos filhos, a inteligência por vezes aguçada; todavia, alertando-os, n'outros momentos, quando necessário, para a inconveniência da indolência, e do egoísmo muito comum em muitos na fase turbulenta da adolescência.

Isso, efetivamente, é o se educar: o se valorizar um "por favor" e "muito obrigada" que as crianças aprendem, porventura com facilidade, para a boa convivência; o se oferecer o lugar aos idosos no coletivo urbano. Valorizar, nas personalidades em formação, o que em todas as fases da história humana se reveste de valor próprio - não transitório! Não acessório, como pode ocorrer ao se ser benquisto por se adotar o último estilo de corte de cabelo da moda!

O segundo episódio foi, como dito, um comentário inusitado, ouvido ao acaso durante diálogo informal, justamente sobre a importância do elogio: "- Ah, eu não elogio mesmo, pra não dar cartaz!"...

Inacreditável para alguns dos leitores? Sim. A mim também causou espécie, ouvir tamanha mostra de falta de percepção para o modo como as coisas podem acontecer de forma mais feliz na convivência diária, com benefícios para todos; mas é preciso que se entenda a verdade indiscutível de que este tipo de mentalidade distorcida é produto crescente, com o passar das últimas décadas, de uma formação calcada num padrão quase selvagem de competitividade, no qual se assentou como rocha inabalável a ideia de que o indivíduo vale em função de seu utilitarismo, e não do que, de fato, é!

Pouco importa, portanto, sob esta ótica, os prováveis talentos e qualidades naturais de que cada um de nós é portador, e que, em sendo reconhecido com equanimidade por, e para todos, reverteria num modelo de sociedade na qual seus cidadãos seriam muito mais realizados, felizes naquilo que criam e produzem.

Todavia, no uso do conceito, em muitas mentes generalizado, de que "não se elogia para não dar cartaz", o que se requer, imperativamente, é o "se dar melhor que o outro".

É o sobressair mais as auto intituladas virtudes, de preferência em detrimento às existentes no seu próximo, que se pretende as mais apagadas possível da percepção alheia, com o fim de fazer notar somente a si; de se vencer, deste modo, na competição salarial e profissional, em quaisquer meios existentes, pois, afinal, há que se ganhar, em tempos difíceis, o feijão com arroz. Há bocas a alimentar em casa, contas a pagar no final do mês, então, que me perdoe o próximo com seus talentos, capacidade e virtudes, certamente úteis se adequadamente aproveitadas em contexto condizente - mas, "primeiro, eu"!

E, assim, orientando-se sob essas diretrizes mesquinhas, alguém, em sã consciência, se dedicará a elogiar quem, ou o que quer que seja?

Trata-se de uma doença grave, com origem no ego e na estrutura social vigente nos dias atuais, que, infelizmente, brota com vigor no íntimo dos adultos responsáveis pela criação saudável dos filhos; alastra-se, dali, para a formação de personalidade deles, e, daí, materializando efeitos tristes, em proliferação geométrica, no meio onde são e serão chamados a viver, transmudado, a partir disso, numa selva feroz.

Do ambiente da escola onde o bullying violento oprime as diferenças, sem que o sistema pedagógico ainda tenha atinado com meios de orientar com eficiência para o se enaltecer as qualidades presentes em todos, à concorrência em concursos vestibulares discrepantes, nos quais quem têm mais chances de vencer são justo os mais bem aquinhoados materialmente, a quem foi dado a oportunidade de se frequentar os melhores colégios, até aos círculos profissionais de trabalho, onde o foco é se superar o outro a todo custo, visando cargos e salários vantajosos, o observável é que a singeleza quase cândida da Doutrina do Elogio vai por terra em mentes e comportamentos, pela desvantagem de, aparentemente, se ver destituída de utilidade no contexto das sociedades de hoje, nas quais as prioridades de ordem prática terminam por se impor no cotidiano de todos.

O que é preciso que se desperte no espírito da humanidade, todavia, é a compreensão definitiva de que o fracasso e a opressão sobre um será sempre o fracasso e a opressão sobre todos, mesmo acima e além do que possam sugerir todas as aparências. Porque ignorar conscientemente as virtudes alheias - existentes em todos, sem margens a dúvidas, apenas que somente mal aplicadas e aproveitadas - é pretender que a engrenagem simbiótica da vida prescinda de indivíduos robustos em motivação e realização própria; é iludir-se de que uma peça da engrenagem destituída de manutenção e cuidados não venha fatalmente prejudicar o bom andamento de todo o resto! É isolar-se em uma ilha ilusória de vantagens pessoais, esquecendo-se, convenientemente, - mas não por muito tempo - que fatores deverão existir para um contexto de trocas saudáveis que visem, inclusive, aos próprios interesses e necessidades mais simples, na hora de se alimentar, vestir, de se saciar a sede...

E, numa realidade mundial em que seus componentes não são peças de maquinaria fria, passíveis de manutenção fácil, mas seres humanos, cujos meandros íntimos são exclusivos e muito mais complexos, o desfecho certo e fácil a se depreender de um tal atraso de concepção e aplicação das Leis da Vida será o fracasso individual e coletivo, em prazo não muito distante!

Valorizemos os nossos semelhantes, como queremos que se faça a nós mesmos. Nos inúmeros setores da vida, busquemos soluções que ofereçam a todos adequação de qualidades, realização íntima na produtividade em comum. Façamos assim em quaisquer ambientes aos quais sejamos chamados a conviver. E, um dia, haveremos de confirmar que a amorável Doutrina do Elogio - a da valorização ostensiva de toda e qualquer manifestação da vida humana - será, sempre, o caminho mais curto, mais próspero, para a realização efetiva e crescente de uma humanidade mais feliz!


Publicado no site http://somostodosum.ig.com.br/clube/artigos.asp?id=41705

Christina Nunes
   
Médium psicógrafa das obras de autoria do espírito Caio Fábio Quinto, seu mentor espiritual, e de outros autores desencarnados. Dentre elas: O Pretoriano (Ed. Mundo Maior); Sob o Poder da Águia, Amparadores do Invisível, Pacto de Amor Eterno - Espírito Caio F. Quinto; Sonata ao Amor - Espírito Iohan (Lúmen Editorial). Ufóloga e colunista espírita
 
E-mail: cfqsda@yahoo.com.br

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

POR QUE ALGUNS MUDAM DE IGREJA COMO NEM MACACO DE GALHO EM GALHO? Por José Reis Chaves

As pessoas, hoje, mudam muito de religião. E algumas até têm mais de uma. É que elas vão evoluindo cultural e biblicamente, e passam, assim, a questionar questões que seus líderes religiosos ensinam. 

José Reis Chaves - Escritor e Pesquisador Espírita

Daí que elas deixam sua comunidade religiosa e vão buscar outra, que, com o tempo, passa a ser também como nem a última que abandonaram.


Existe uma expressão latina muito conhecida com a qual os protestantes e evangélicos fazem questão de identificar-se: “Sola Scriptura” (Somente as Escrituras). 

Segundo eles, todo o conteúdo bíblico, e somente ele, é a base rigorosa de toda a sua crença.  Mas na prática, não é bem assim, pois vemos entre eles coisas contrárias à Bíblia e muitas outras apenas judaicas e não bem cristãs. 

Sim, às vezes, eles até se prendem mais a questões do Velho Testamento do que às do Novo.

São Paulo converteu-se ao cristianismo, e levou para ele questões doutrinárias judaizantes, pois seus escritos (epístolas) foram os primeiros escritos do Novo Testamento, nos quais os evangelistas muito se basearam ao escreverem os evangelhos.

Daí que algumas questões doutrinárias constantes dos evangelhos nem sempre foram ensinadas por Jesus, mas por Paulo. E essas influências judaico-paulinas, frequentemente, são até abusivas nos ensinos dos líderes religiosos, principalmente protestantes e mais ainda entre os evangélicos. 

Para Jesus as obras são mais importantes: “A cada um conforme suas obras.” (Mateus 16: 27). Para os protestantes e evangélicos, vale mais a graça aliada à fé.

Para Paulo, a mulher não deve atuar dentro das igrejas. Ele ensina mesmo que ela não deve falar nada perante as comunidades reunidas nas igrejas.

Aqui se percebe também claramente a influência machista bíblica do judaísmo do Velho Testamento, machismo esse que, com a evolução, é normal que deverá desaparecer. 

Mas é um exemplo de que, na Bíblia, nem tudo é certo!

E há outras coisas na Bíblia que seus seguidores não adotam.  

Alguns exemplos disso são geralmente as leis mosaicas e não as divinas ou naturais dos Dez Mandamentos. Uma delas manda matar os filhos muito rebeldes (Deuteronômio 21: 21).  

Outra proíbe o consumo de carne suína. (Deuteronômio 14: 3 e 8). Outra lei mosaica proíbe também o contato com os demônios (“daimones” em grego, a língua original do Novo Testamento), demônios esses que, na verdade, são os espíritos dos mortos e não de outra categoria de espíritos como muita gente, erradamente, ainda pensa.

Moisés proibiu esse contato com os espíritos dos mortos, por causa da ignorância do povo sobre a mediunidade e, ainda, por causa do comércio e da charlatanice que muitos faziam com essa prática com os demônios ou espíritos dos mortos. Mas vejamos que, em outra parte, Moisés até elogia dois homens que se comunicavam com espíritos dos mortos ou demônios. 

É que esses dois homens, Heldade e Medade, entendiam de mediunidade, não faziam comércio com esse contato e até eram profetas (médiuns) de espíritos que profetizavam através deles. 

Sim, pois há dois tipos de profetas: o do espírito que se manifesta e do médium que o recebe. (Números 11: 24 a 30).

Respeitemos a Bíblia, mas separemos nela, também, o joio do trigo. 

E é por não a conhecerem bem, que as pessoas ficam confusas e inseguras não se firmando em nenhuma igreja e ficando como nem macacos de galho em galho! 

PS: “Presença Espírita na Bíblia”, apresentado por José Reis Chaves na TV Mundo Maior (SP). 

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Será lícito abreviar a vida de um doente que sofra sem esperança de cura? Por Eliana Ivano


28. Um homem está agonizante, presa de cruéis sofrimentos. Sabe-se que seu estado é desesperador. Será lícito pouparem-se-lhe alguns instantes de angústias, apressando-se-lhe o fim?


Quem vos daria o direito de prejulgar os desígnios de Deus? Não pode ele conduzir o homem até à borda do fosso, para dai o retirar, a fim de fazê-lo voltar a si e alimentar idéias diversas das que tinha?

Eliana Ivano

Ainda que haja chegado ao último extremo um moribundo, ninguém pode afirmar com segurança que lhe haja soado a hora derradeira. A Ciência não se terá enganado nunca em suas previsões?

Sei bem haver casos que se podem, com razão, considerar desesperadores; mas, se não há nenhuma esperança fundada de um regresso definitivo à vida e à saúde, existe a possibilidade, atestada por inúmeros exemplos, de o doente, no momento mesmo de exalar o último suspiro, reanimar-se e recobrar por alguns instantes as faculdades! 

Pois bem: essa hora de graça, que lhe é concedida, pode ser-lhe de grande importância. Desconheceis as reflexões que seu Espírito poderá fazer nas convulsões da agonia e quantos tormentos lhe pode poupar um relâmpago de arrependimento.

O materialista, que apenas vê o corpo e em nenhuma conta tem a alma, é inapto a compreender essas coisas; o espírita, porém, que já sabe o que se passa no além-túmulo, conhece o valor de um último pensamento. 

Minorai os derradeiros sofrimentos, quanto o puderdes; mas, guardai-vos de abreviar a vida, ainda que de um minuto, porque esse minuto pode evitar muitas lágrimas no futuro. - S. Luís. (Paris, 1860).

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

10 de setembro é Dia Internacional de Prevenção do Suicídio


Pela opção de viver


10 de setembro é Dia Internacional de Prevenção do Suicídio, causa da morte de mais de um brasileiro por hora.

Uma história que se repete periodicamente – celebridades tiram a própria vida, vítimas de depressão, álcool, drogas, dificuldade em lidar com pressões sociais ou familiares ou mesmo com as mudanças da vida.


É possível mudar essa história? Sim, certamente, porque pelo menos nove em cada dez suicídios poderiam ser prevenidos e o suicida pede ajuda, ao contrário do que muitos acreditam. Mas para começar a efetivar essa mudança é preciso falar no assunto.

O tema suicídio está ausente nas conversas entre amigos, entre pais e filhos, nas aulas escolares, nos consultórios médicos e nas páginas dos jornais. O assunto só aparece quando uma celebridade comete o suicídio e a polêmica se restringe ao fato em si, sem o devido aprofundamento no que isso pode representar às nossas vidas – somos nós ou as pessoas que nos cercam potenciais suicidas? Como saber identificar, como prevenir e como pedir ajuda?

É preciso quebrar o tabu do silêncio.


É preciso provocar discussões saudáveis, entendendo que o problema não se restringe aos famosos. Esse tipo de morte, ou tentativa, acontece em qualquer família, em qualquer cidade, com pessoas de qualquer idade. O Brasil tem visto um aumento preocupante nos índices de suicídio entre jovens, uma idade na qual, pela lógica, as pessoas sonham mais, são mais felizes e sentem-se menos pressionadas.

O CVV, entidade que atua na prevenção do suicídio há 52 anos, convida a todos os brasileiros quebrarem esse silêncio no dia 10 de setembro, Dia Internacional de Prevenção do Suicídio. Se alguns começarem a falar, a trazer o tema à tona em seus círculos profissionais e pessoais, podemos deixar de perder 25 brasileiros ao dia vítimas dessas mortes. Brasileiros que viram na morte a única saída, mas que poderiam ver a vida ainda como uma opção se soubessem que há como pedir ajuda.

O suicídio no Brasil

· No Brasil, 25 pessoas morrem vítimas de suicídio por dia e ao menos outras 50 tentam tirar a própria vida.

. No mundo, uma pessoa se mata a cada 40 segundos.

· Segundo pesquisa da Unicamp, 17% dos brasileiros pensaram seriamente em cometer suicídio no decorrer de suas vidas.

· De todos os casos, mais de 90% poderiam ser evitados.

· Quem tenta suicídio pede ajuda.

Apesar da seriedade do assunto, o suicídio ainda é um tabu na sociedade brasileira o que dificulta a sua prevenção. O CVV acredita que uma forma importante de se evitar novos casos é conversar sobre o assunto para derrubar mitos e quebrar tabus.

Sobre o CVV

O CVV - Centro de Valorização da Vida, fundado em São Paulo em 1962, é uma associação civil sem fins lucrativos, filantrópica, reconhecida como de Utilidade Pública Federal em 1973. Presta serviço voluntário e gratuito de apoio emocional para todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo. Os mais de um milhão de atendimentos anuais são realizados por 2.200 voluntários em 18 estados mais o Distrito Federal, pelo telefone 141 (24 horas), pessoalmente (nos 68 postos de atendimento) ou pelo site www.cvv.org.br via chat, VoIP (Skype) e e-mail.

É associado ao Befrienders Worldwide (www.befrienders.org), entidade que congrega as instituições congêneres de todo o mundo e foi reconhecido pelo Ministério da Saúde como a melhor iniciativa não governamental de prevenção ao suicídio no Brasil.

Fonte: http://www.cvv.org.br

terça-feira, 5 de novembro de 2013



A MORTE

Como podemos entender a morte?

Na Visão Materialista, que apregoa que a vida provém da matéria, com a morte tudo se acaba.

No Conceito Espiritualista a morte é o momento em que a alma se desliga do corpo e parte  para o mundo espiritual encontrando a sua destinação. Essa destinação varia de acordo com a crença de cada escola espiritualista.

No Ensinamento Espírita  temos que, quando o corpo físico não oferece mais condições da alma continuar habitando-o, ou, quando chega o momento programado para a desencarnação, ocorre o desligamento do Espírito e do seu Corpo Espiritual em relação ao Corpo Físico; voltando a habitar a dimensão espiritual, até uma próxima encarnação.

A meta, pela qual o Espírito é destinado, é a perfeição; e para o Espírito alcançá-la passa pelas experiências da vida corpórea a fim de desenvolver a sabedoria e o amor pleno.

A reencarnação é uma das idéias centrais do Espiritismo.
Temos notícias, através da história, da crença na reencarnação desde os egípcios, há 3000 anos, até os dias atuais. Os cristãos dos primeiros séculos apregoavam a reencarnação mas esta idéia foi abolida, no ano de 543, no V Concílio de Constantinopla, quando o imperador Justiniano obriga a Igreja a excluir este conceito.

Na atualidade pesquisas científicas estudam a possibilidade da atuação do Espírito fora do corpo físico ( EQM – Experiências de Quase Morte ) e também a comprovação da reencarnação em vários tipos de estudos como por exemplo o de lembranças  espontâneas de vidas passadas e o de lembranças através de regressão de memória.

Para enriquecer esta exposição tomamos a liberdade de citar um trecho do segundo capítulo do livro Reencarnação e Imortalidade do Hermínio C. Miranda :

“Quando se fizer, no futuro, um levantamento dos grandes equívocos do pensamento humano, um deles avultará de maneira singular, entre os maiores: o abandono da doutrina da reencarnação. Creio não exagerar ao dizer que larga parte das mazelas que assolam a civilização moderna se deve ao desconhecimento dessa idéia tão simples e de tão importantes conseqüências morais para todo ser humano”.

.O Espiritismo ensina-nos a encarar a morte como uma contingência natural que nos faculta a volta ao mundo espiritual, separando-nos por algum tempo dos entes queridos encarnados e abrindo a possibilidade de voltarmos a conviver com entes queridos desencarnados. Além disso mostra-nos que somos responsáveis pelas conseqüências ocasionadas pelos pensamentos, sentimentos e ações que alimentamos.


Busquemos nos conhecer melhor.

por Vera Lucia Nuzzi

quarta-feira, 11 de setembro de 2013


AS VIRTUDES E OS VÍCIOS

  
Somos seres espirituais, temporariamente encarnados para desenvolvermos a sabedoria e a capacidade de amar.O objetivo da reencarnação é proporcionar experiências de acordo com o nível evolutivo do indivíduo para que a lei do progresso se cumpra.

Deus nos criou simples e ignorantes mas com um potencial imenso a ser desenvolvido, o potencial divino. Se ele nos criasse já perfeitos não teríamos o mérito da conquista da perfeição.

Como estamos em processo de aperfeiçoamento todos nós temos virtudes e vícios.

Podemos definir virtudes como sendo tendências comportamentais e cultivo de valores que contribuem para nossa evolução espiritual.

Podemos definir vícios como sendo tendências comportamentais e cultivo de valores que impedem ou prejudicam nosso progresso espiritual tais como fixações em idéias, emoções e ações negativas ou que nos desequilibram.

As virtudes são alcançadas à medida que passamos pelas experiências e superamos nossas deficiências.

Jesus foi o Espírito mais evoluído que já reencarnou neste planeta, o maior exemplo de virtudes e capacidade de amar. E Ele nos deixou a “fórmula” para nos aperfeiçoarmos: “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”.

Quanto mais qualidades ou virtudes conquistamos, mais desfrutamos os prazeres destas conquistas.

Quanto mais defeitos ou vícios mantemos mais sofremos as conseqüências dessas imperfeições.

Normalmente, associamos a idéia de vícios à dependência ao uso de bebidas alcoólicas, às drogas, ao jogo, ao sexo desregrado, mas, além destes, existem os vícios morais, muito mais disseminados na humanidade. Vamos exemplificá-los:

O orgulho – queremos ser melhores que os outros e não admitimos nossas falhas. Esquecemos que somos criaturas de Deus portanto, todos somos iguais, e que percebendo nossas falhas estamos nos conhecendo melhor e com melhores condições de evoluirmos,
O egoísmo – só pensamos em nós mesmos, esquecemos que todos temos direitos e necessidades iguais.
Sede de poder – queremos controlar o modo de pensar, sentir e agir do outro impondo nosso ponto de vista e vontade. Esquecemos que cada um tem o seu ritmo evolutivo e sua história pessoal.

A violência – é o cultivo da raiva, do ódio, do desamor. Sentimento complexo que pode estar relacionado com o orgulho ferido, ou a um egoísmo extremo, ou ao autoritarismo e, principalmente, à dificuldade de amar e perdoar ao outro e a si mesmo.

Podemos citar ainda a vaidade excessiva, o medo exagerado, a autodesvalorização, enfim, uma série de vícios morais.

Ao aceitarmos nossas falhas, percebemos que ninguém é perfeito e que as imperfeições fazem parte do trilhar evolutivo da humanidade.  Com a aceitação temos melhores condições de transformar o orgulho em humildade, o egoísmo em solidariedade, o autoritarismo em diplomacia, a violência em amor, o medo em coragem, a tristeza em alegria, a apatia em entusiasmo, a autodesvalorização em autoaceitação.

Teremos condições de melhorar a nós mesmos e convivermos mais positivamente conosco mesmo, com as pessoas e com a vida.

Por Vera Lúcia dos Santos Nuzzi



quarta-feira, 4 de setembro de 2013



A Importância da palestra espírita

Por Claudio Palermo


É muito bom chegarmos na casa espírita e assistirmos uma boa palestra .

A palestra é o instrumento que a Espiritualidade utiliza para nos auxiliar e serve para refletirmos sobre nossa postura na atual encarnação.

Ouvindo um expositor podemos enxergar situações que até então nem imaginávamos, é o grande Despertar da Consciência.

Enquanto estamos ali sentados e acompanhando a palestra os Mentores estão aplicando boas energias em nós, “puxam” algo na nossa mente que pode fazer com que reflitamos e tenhamos coragem ao sair da casa espírita de aplicar no cotidiano.

É uma ferramenta fantástica, leve, sutil, que alerta, conscientiza e acima de tudo deixa as respostas e atitudes nas nossas mãos, basta vontade de mudar.

A Palestra espírita informa, esclarece, consola e desperta para a grande responsabilidade: que somos agentes do nosso destino e isto nos tira da zona de conforto.

As palestras do CEJA acontecem:

Terças / Quintas – 20hs

Domingos – 19hs

Quartas – 15hs



domingo, 25 de agosto de 2013


O FILHO PRÓDIGO

Todos conhecem a parábola do filho pródigo.

Sendo assim não há necessidade de contá-la por completo.

Mas, uma coisa podemos afirmar: não foi a saudade que conduziu de volta o filho pródigo.

E se houvesse saudade não seria dos familiares, e sim do conforto e do pão farto.

Voltou, pois estava sofrendo, esbanjou a fortuna que o Pai lhe dera, a desilusão das falsas amizades, a solidão e a miséria.

Mais, mesmo assim, o pai generoso o acolheu, sem nada perguntar e sem recriminar.

O Divino Pai, infinitamente generoso, tampouco nos questiona os motivos que nos leva a procurá-lo e jamais nos condena.

E isso muito nos beneficia, porque a maioria de nós somente buscou o bem e a espiritualidade quanto estamos sofrendo e saturados do mal e do ódio que criamos que nos faz permanecemos longe de Deus.

E poderíamos nos poupar de todo esse sofrimento através de uma vivência evangélica, mais cedo iniciada.

Então percebemos que melhor estaríamos junto do Mestre e em ligação com o Pai.

E conscientes desta descoberta, iniciamos a longa e penosa jornada evolutiva, não mais avançando automaticamente, e mais consciente procuramos a nossa iluminação esforçando-nos em moldar nossa vida de acordo com seus preceitos divinos

Rogamos ao Divino Pai suas benções para a humanidade, e para nós, legião de filhos pródigos sofredores, necessitados de proteção e esclarecimento, renovação e fraternidade.

Fonte: Comentários Evangélicos de Bezerra de Menezes.

Por Jair Almendros

terça-feira, 20 de agosto de 2013

A Importância da Biblioteca no Centro Espírita

Quando chegamos em um Centro Espírita, procuramos de antemão assistência espiritual, fazemos tratamento e frequentamos sua palestras.

A maioria das Casas oferecem Cursos Doutrinários, começando pelo curso básico até treinamento de trabalhadores.

De acordo com Allan Kardec, no seu grande sonho em Obras Póstumas era ter uma Biblioteca com temas Espíritas para estudos de frequentadores. Ela é de fundamental importância, pois as Obras Básicas, as psicografadas por Chico Xavier e inúmeras outras lá se encontram.

No Joanna de Ângelis não é diferente, temos um acervo com mais de 1200 volumes, estamos montando um acervo de mídia e ampliando e otimizando o espaço. São adultos, jovens e crianças desfrutando deste acervo maravilhoso do conhecimento espírita, como também não espírita como literatura clássica entre outros.

Para poder pegar livros emprestados, o interessado deverá fazer inscrição na Biblioteca, é só informar nome, RG, endereço com CEP cidade e estado, um telefone de contato, e se for possível um E-mail.

Assim o interessado poderá levar dois livros e uma mídia no prazo de 21 dias, contando com o bom senso de quem leva, não temos o famoso castigo das Bibliotecas tradicionais de quando atrasa a devolução, fica suspenso ou paga multa, só se for de ultimo caso. Aceitamos doações de livros e com o tempo poderemos ter uma ampla sala para a Biblioteca, é um projeto para o futuro. Como Jesus disse, ``Conhecereis a verdade e ela vos libertará``. Por isso vamos desenvolver o hábito da leitura que é muito saudável e é muito bom para o nosso enriquecimento intelectual e faz bem para nossa memória, aumentando o nosso vocabulário.

Venha para nos conhecer e fique para nos ajudar.


Por Eliana Ivano

quarta-feira, 14 de agosto de 2013


 A Gênese de Kardec:

Por Claudio Palermo


Podemos considerar a Doutrina Espírita como uma revelação divina?

Sim podemos!

A Revelação divina tem por base a Verdade, ela não pode ser desmentida por fatos.

Aliás Kardec afirmava quando o questionavam sobre alguns pontos da doutrina que contra fatos não há argumentos.

O Espiritismo foi revelado pelos Espíritos Superiores , não é invenção humana, seus princípios foram enviados à Terra por ordem direta da Força Suprema , todos os seus pontos básicos depois de 150 anos não foram alterados por nenhum cientista ou sociedade acadêmica.

A Ciência espírita hoje serve de base à ciência convencional, mostrando que além do corpo físico, nosso Períspirito afeta e rege a estrutura orgânica.

É uma Revelação divina, de iniciativa da Espiritualidade Maior e que precisa do trabalho do homem para ser divulgada em todas as partes da Terra, nosso trabalho na seara espírita é importantíssimo, cada trabalhador, cada dirigente, cada pessoa que entra em contato com o Espiritismo, é uma célula de apoio à Revelação dos Espíritos.

Outro ponto que complementa a opinião de que a doutrina é uma revelação divina são as palavras do Cristo quando ele esteve por aqui , de que em um determinado momento o

Mestre Maior enviaria o Consolador prometido que viria nos lembrar e ampliar os seus conceitos, é algo que ocorre hoje, o Espiritismo tem sua base moral cristã e com a ciência e a filosofia amplia e solidifica esta questão!

Fica o convite para estudarmos este livro fascinante e este tema.

Fonte: Cap.1 – A Gênese de Allan Kardec – FEB Editora