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segunda-feira, 25 de abril de 2016

A REGENERAÇÃO, A MISERICÓRDIA E O AMOR DE DEUS PREEXISTEM A NÓS

Os atributos e decisões de Deus são sempiternos, permanentes, sempre presentes e imutáveis. 

Assim, antes de sermos criados, a nossa regeneração, o amor e a misericórdia da parte de Deus para conosco já existiam. 

José Reis Chaves

Não foi, pois, por obras boas praticadas por nós, mas de fato de graça, pois ainda não existíamos. 


Porém, podemos receber agora essas benesses gratuitas de Deus bem ou mal, pois isso depende de nosso livre-arbítrio. E para recebê-las bem, temos que vivenciar o evangelho. Sim, pois Jesus não veio perder o seu tempo de trazê-lo para nós.

Sobre isso, vejamos um texto da carta de são Paulo a Tito (3: 5). E, para deixarmos mais claro seu conteúdo, fazemos uns parêntesis: “Quando, porém, se manifestou a benignidade de Deus, nosso Salvador, e o seu amor para com os homens, não por obras de justiça praticadas por nós (pois ainda não existíamos), mas segundo sua misericórdia, ele nos salvou mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo (nosso que se purificou).” 

Nosso corpo é santuário de um Espírito Santo.” (1 Coríntios 6: 19) O lavar regenerador feito pela nossa vivência evangélica leva-nos à nossa regeneração, evolução, aperfeiçoamento através da palingenesia (período das reencarnações), por meio do evangelho de Jesus Cristo. 

E, por oportuno, São Paulo não conheceu o Espírito Santo do dogma trinitário, que só foi criado mais tarde pelos teólogos. (Mais detalhes em meu livro “A Face Oculta das Religiões”, lançado também em inglês nos Estados Unidos).

A nossa regeneração, como já foi dito, já aconteceu. 

E cabe a nós, agora, fazermos a nossa parte, na nossa peregrinação terrena durante as reencarnações através da vivência do evangelho. Aliás, a nossa regeneração, no citado texto paulino, significa exatamente a concretização da nossa moral cristã baseada no ensino moral do evangelho.

Ora, se a nossa regeneração vem de Deus, mas se completa através da prática do evangelho, como acabamos de ver, mas se mais alguma coisa ainda nos falta, para que ela se concretize tornando-se uma realidade atualizada lá no final dos tempos, no Juízo Final, é mesmo a nós mesmos que cabe fazermos o que nos falta, pois, realmente, Deus e Jesus já fizeram tudo o que lhes cabia fazer e do melhor modo possível. 

E, agora, é mesmo conosco. Ou vamos seguir uma religião da preguiça?

Nós fomos criados por Deus semelhantes a Ele, em espírito e em perfeição. Mas essa perfeição foi só em estado de potencialidade ou de semente. 

E estamos procurando concretizar essa semelhança, não a igualdade, com Deus, através da palingenesia (período das reencarnações), ao longo dos milênios. Mas atentemos para o fato de que, com somente uma vida terrena, nós não conseguiríamos nem começar a construir essa semelhança com Deus, a qual é a nossa longa regeneração. 

Por isso, precisamos mesmo de muito tempo, ou seja, de muitas reencarnações para realizarmos essa nossa regeneração com o lavar regenerador do nosso próprio Espírito Santo.

E aqui nos vem uma pergunta. Se houvesse uma vida só terrena para o nosso Espírito Santo ser lavado por meio da nossa real vivência do evangelho, como ficaria uma pessoa que morresse ainda criança ou até nascesse já morta? 

Não vale dizer que se trata de um mistério de Deus, explicação essa dada pelos teólogos para justificar a criação por eles, e não por Deus, de doutrinas misteriosas e confusas!

José Reis Chaves - escritor e palestrante 



segunda-feira, 18 de abril de 2016

O que é ser humilde? Saiba como a humildade vai te ajudar a ter uma vida melhor

Por Regis Mesquita do Blog Caminho Nobre
A Bíblia traz alguns trechos muito interessantes para quem quer entender o que é ser humilde.  

Cito dois:
"...a si mesmo se humilhou" (Fl 2.8).
"...agrada-me fazer a tua vontade, ó Deus meu; dentro em meu coração está a tua lei" (Sl 40.8).
Vamos entender estes trechos sob a ótica da espiritualidade e não da ideologia que transforma pessoas pobres em humildes.

Você nasceu para aprender e sabe que quando você aprende sua vida fica melhor. Todo aprendizado acontece mais facilmente quando a pessoa é humilde.

Para ser humilde ela tem que sair do orgulho. Sob o ponto de vista do orgulhoso, o humilde é aquele que se humilha. Sob o ponto de vista do humilde, o orgulhoso é aquele que não se humilha voluntariamente. Parece confuso? Vou explicar melhor.
 Jesus lavou os pés dos apóstolos. Naquele tempo, isto era um ato de humilhação. Lavar os pés era um ato reservado para quem tinha as piores condições sociais.

“Jesus, quando lavou os pés dos apóstolos, mostrou que ele podia ser tudo. Podia ser quem ensinava, o que sabia, o que era servido e o que servia. Ele servia ao próximo em todas as posições sociais, até as mais discriminadas. Ele oscilava de papel e posição. Esta é a verdadeira humildade.” (trecho do ebook – “A espiritualidade no dia-a-dia)
Frente ao orgulho, Jesus se humilhou. Frente à sabedoria, Jesus mostrou que tinha poder de ser o que Ele queria e que não era prisioneiro de preconceitos e nem de discriminações.

A humildade é uma forma inteligente de retomar o poder da própria vida e usá-lo para produzir o que é nobre.  
É como se Jesus dissesse: “se é importante para minha evolução espiritual lavar os pés de vocês e mostrar que devo servir sempre, é isso que faço. Sou livre. Eu não dependo de aprovação social para fazer o que é nobre”.

“Dizem que havia um rei que morreu de fome porque não preparou sua própria comida. E porque não preparou a comida que lhe salvaria? Porque na sua cultura era humilhante preparar comida. Quando o rei se perdeu na selva, ele morreu de fome. Não soube mudar de papel e nem assumir outras posições, de acordo com a nova realidade em que vivia.” (trecho do ebook – “A espiritualidade no dia-a-dia)

Característica da humildade: capacidade de ocupar diversas funções e papéis sempre que a realidade assim necessitar.

O rei não pode fazer comida, porque era prisioneiro de uma ideologia e, orgulhoso, não queria se humilhar - o erro fatal.  
A humildade favorece o reconhecimento do erro. O importante é a realidade; ou seja, o importante é aprender com a realidade e assim desenvolver qualidade e habilidades.
O rei poderia ter aprendido que as crenças da sua cultura são limitadas e erradas. Poderia ter aprendido e sobrevivido. Não teve humildade e morreu.

Você já passou por inúmeros conflitos em que você ou outra pessoa estavam erradas e o orgulho impedia que reconhecesse o erro e solucionasse o conflito.  
O orgulho perpetua muito sofrimento. A humildade ajuda a solucionar.  
Humildade está diretamente relacionada com a capacidade de aprender, servir e avaliar corretamente a realidade.

Sem estas qualidades a vida fica mais difícil. Traduzindo: orgulho torna a vida mais difícil e complicada; a humildade simplifica.

Observe a reflexão abaixo:

“Ao invés de ter compulsão por estar certo tenha um imenso esforço para acertar.
Fazer bem feito, ampliar o conhecimento e a sabedoria, desenvolver a sensibilidade...
Tudo isto é atingido progressivamente.
Se você quer abrir uma "fábrica de acertos" é preciso ter humildade e olhar para suas próprias limitações.
Quem reconhece suas próprias limitações pode usar a disciplina para superá-las.
Portanto, muitos acertos dependem de se admitir um erro.”
(Reflexão originalmente postada em: https://www.facebook.com/nascervariasvezes/ )

A vida da pessoa humilde é melhor porque ela reconhece suas limitações. Assim, pode usar a disciplina para se melhorar.

Existem outros ganhos: menos stress e menos tensão. Quem aprende e passa a acertar aumenta a própria motivação e tem mais serenidade. Uma vida melhor, não é?  
A humildade gera prontidão e vontade de aprender e evoluir. Em outras palavras, as pessoas humildes tornam-se preparadas para escutar e enxergar.

Repare na segunda frase da Bíblia: "...agrada-me fazer a tua vontade, ó Deus meu; dentro em meu coração está a tua lei" (Sl 40.8).  
Dentro do meu coração – significa o conhecimento que emerge de dentro para fora. Uma sintonia, uma conexão.  
Demonstra a valorização do escutar. O resultado é que a pessoa humilde estimula e valoriza suas intuições e sua sensibilidade.  
Intuição e sensibilidade são ótimos recursos que todas as pessoas possuem para melhorarem a própria vida.

Todavia, deve-se estar pronto para escutar e valorizar o que vem do “fundo da alma”. E o que vem do fundo da alma muitas vezes é diferente do que o ego valoriza ou deseja.

Esta pessoa está preparada para escutar, valorizar e seguir junto com as informações que chegam “do coração”.  
Esta é a razão pela qual a Bíblia diz que “agrada-me fazer a tua vontade, ó Deus meu”. A pessoa humilde segue o que é bom, correto e nobre.  
A pessoa humilde não fica presa nos limites do seu ego imaturo. Ela vai além, ela escuta, valoriza e vai junto com o que existe de mais nobre: o Caminho Nobre.

A pessoa orgulhosa busca uma valorização acentuada de si mesmo (alguns orgulhosos se depreciam). O humilde não prioriza a autovalorização; prioriza aprender e viver bem a realidade. 

“É preciso muita humildade para aceitar o seu lugar no Universo. É necessário mais humildade ainda para se manter neste lugar durante todos os momentos de provações. Este lugar pode ser traduzido por manter-se (o corpo e a mente) vibrando o que existe de mais nobre e elevado na vida. Lembre que o ser humano é um processador e retransmissor de energias”. (trecho do ebook – “A espiritualidade no dia-a-dia)


“A palavra humilde tem uma raiz indo-europeia, que é “húmus”. Significa “o solo sob nós”, isto é, estamos todos no mesmo nível.” Mario Sergio Cortella  
Estamos no mesmo nível. Eu posso aprender com você e você comigo. Eu posso te servir e você pode me servir. Eu posso te ajudar e posso ser ajudado por você. 

O caminho natural da humildade é a TROCA de ajuda, conhecimento, serviço, etc.  Desta forma, todos ganham, todos colaboram e ninguém precisa se preocupar em ser mostrar melhor porque existe o compartilhar e a cooperação.  
Quer criar à sua volta um ambiente de troca e cooperação? Comece por se mostrar interessado na troca, sendo humilde para receber o que vem do outro e compartilhar o que existe de melhor em você.

Humildade serve para criar este ambiente mais saudável para uma vida com menos julgamentos e mais aceitação e construção.

Autor: Regis Mesquita




terça-feira, 22 de março de 2016

MÉDIUNS RECEBEM ESPÍRITOS BONS QUE ELES PENSAM SER O DO PRÓPRIO DEUS

A mediunidade, hoje, é estudada em grandes universidades, e há até teses pós-graduação sobre ela:   http://psicografiaeprovajudicial.blogspot.com.br/

E é, principalmente, pela ignorância do povo judeu e da prática de comércio e charlatanice envolvendo-a, que Moisés proibiu sua prática em Deuteronômio capítulo 18. 



Kardec deixou claro que, quando ele dizia que uma pessoa era médium, ele queria dizer que ela possui um dom especial igual ao dos profetas bíblicos. E eles eram chamados também de videntes (1 Samuel 9: 9).  

Ademais, Joel e são Pedro profetizaram que, no futuro, todas as pessoas seriam profetas. E todo espírito é como se fosse uma extensão de Deus, daí a frase: “Derramarei de meu Espírito sobre toda carne.” “Vossos filhos e vossas filhas profetizarão, vossos jovens terão visões, e sonharão vossos velhos...” (Joel 2: 28; e Atos 2: 17 e 18).

A mediunidade está presente em pessoas de todas as religiões e até nas ateias. São Paulo a chama de dom espiritual, ou seja, dos nossos espíritos. Ela consiste no dom de os médiuns atraírem espíritos que se manifestam através deles. 

Porém, numa manobra inteligente, mas infeliz, pois anulou uma verdade bíblica, os teólogos do cristianismo abafaram esse dom da mediunidade, passando a ensinar que era o Espírito Santo da Terceira Pessoa trinitária que se manifesta e não um espírito humano bom (“bonus”), como diz são Jerônimo na Vulgata Latina. 

O Espírito Santo, Deus trinitário, foi criado por eles, principalmente, a partir do Concílio Ecumênico de Constantinopla (381). E ensinaram que só o papa e os bispos podiam recebê-lo, abafando, assim, o dom espiritual da mediunidade. 

Os poucos padres e bispos médiuns que recebiam espíritos bons acreditavam que fossem o Espírito Santo trinitário, mas ficavam confusos quando recebiam espíritos atrasados que não  podiam, pois, ser tidos como o Espírito de Deus. 

E passaram a chamar esses espíritos de demônios (“daimones”). Mas, como se diz, o tiro saiu pela culatra, pois demônios são almas humanas boas ou más! 

Mais tarde, os que tinham o dom de mediunidade, principalmente, se fossem mulheres, eram tidos como ‘endemoninhados’, bruxos e feiticeiros, e morriam nas fogueiras da Inquisição. Mas nada ficará oculto, ensinou o excelso Mestre. E, com o fim da Inquisição, a mediunidade vem avançando, como vimos, segundo as profecias de Joel e são Pedro.

 “Samuel profetizou até depois de morto.” (Eclesiástico 46: 20). Não foi, pois, o cadáver dele que profetizou, mas o espírito santo ou a alma santa dele, e através de um médium, sem o que não poderia haver a comunicação dele. Os protestantes e, principalmente, os evangélicos pentecostais e fundamentalistas vão dizer que o Eclesiástico é da Bíblia Católica da qual Lutero retirou sete livros, entre eles esse livro, apócrifo para eles. 

Mas a Bíblia Católica é muito mais confiável do que a de Lutero! 

Ademais, no Livro de Números 11: 24 a 30, Moisés não só reconhece como válida a recepção de espíritos que profetizavam pelos profetas encarnados ou médiuns Heldade e Medade, mas até os elogia! 

E nesse episódio, não é também o Espírito Santo dogmático da Terceira Pessoa trinitária que profetizava, pois os dois recebiam espíritos (no plural) e não o próprio Espírito de Deus (no singular) como ainda pensam muitos cristãos médiuns, quando recebem bons espíritos!

José Reis Chaves - Prof. de português e literatura aposentado formado na PUC MinasEscritor e jornalista colunista do diário O TEMPO, de Belo HorizontePalestrante nacional e internacional espírita e de outras correntesespiritualistasApresentador  do programa “Presença Espírita na Bíblia” da TV Mundo MaiorParticipante do programa “O Consolador” da Rádio Boa NovaTradutor de "O Evangelho Segundo o Espiritismo", de Kardec, para aEditora Chico Xavier.E autor dos livros, entre outros, "A Reencarnação na Bíblia e naCiência" e "A Face Oculta das Religiões", Editora EBM, SP, amboslançados também em inglês nos Estados Unidos.


 PS: “Nos Passos do Mestre” nos cinemas, em 24-3-2016. Contato FEAL: Erika Silveira, (11) 2086-4360 - assessoria@feal.com.br


quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

O Carnaval na Visão Espírita


O Carnaval, conforme os conceitos de Bezerra de Menezes é festa que ainda guarda vestígios da barbárie e do primitivismo que ainda reina entre os encarnados, marcado pelas paixões do prazer violento. 

Como nosso imperativo maior é a Lei de Evolução, um dia tudo isso, todas essas manifestações ruidosas que marcam nosso estágio de inferioridade desaparecerão da Terra. 



Em seu lugar, então, predominarão a alegria pura, a jovialidade, a satisfação, o júbilo real, com o homem despertando para a beleza e a arte, sem agressão nem promiscuidade.

A folia em que pontifica o Rei Momo já foi um dia a comemoração dos povos guerreiros, festejando vitórias; foi reverência coletiva ao deus Dionísio, na Grécia clássica, quando a festa se chamava bacanalia; na velha Roma dos césares, fortemente marcada pelo aspecto pagão, chamou-se saturnalia e nessas ocasiões se imolava uma vítima humana.

Na Idade Média, entretanto, é que a festividade adquiriu o conceito que hoje apresenta, o de uma vez por ano é lícito enlouquecer, em homenagem aos falsos deuses do vinho, das orgias, dos desvarios e dos excessos, em suma.

A letra da música de Caetano Veloso diz: "atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu", mas para os espíritas a letra deveria ser modificada para: "atrás do trio elétrico também vai quem já morreu", porque o Espiritismo nos esclarece que estamos o tempo todo em companhia de uma inumerável legião de seres invisíveis, recebendo deles boas e más influências a depender da faixa de sintonia em que nos encontremos.

Essa massa de espíritos cresce sobremaneira nos dias de realização de festas pagãs, como é o Carnaval.

Nessas ocasiões, como grande parte das pessoas se dá aos exageros de toda sorte, as influências nefastas se intensificam e muitos dos encarnados se deixam dominar por espíritos maléficos, ocasionando os tristes casos de violência criminosa, como os homicídios e suicídios, drogas lícitas e ilícitas, além dos desvarios sexuais que levam à paternidade e maternidade irresponsáveis, doenças sexualmente transmissíveis, abortos, etc.

Isso acontece tanto com aqueles que se afinizam com os seres perturbadores, adotando comportamento vicioso, quanto com criaturas cujas atitudes as identificam como pessoas respeitáveis, embora sujeitas às tentações que os prazeres mundanos representam, por também acreditarem que seja lícito enlouquecer uma vez por ano.

Mas, do mesmo modo como somos facilmente dominados pelos maus espíritos, quando sintonizamos na mesma freqüência de pensamento, também obtemos pelo mesmo processo, a ajuda dos bons, aqueles que agem a nosso favor em nome de Jesus.

Basta, para tanto, estarmos predispostos a suas orientações, atentos ao aviso de "orar e vigiar" que o Cristo nos deu há dois mil anos, através do cultivo de atitudes salutares, como a prece e a praticada caridade desinteressada.

Como disse Carlos Baccelli: "Advertiu-nos o apóstolo Paulo: "Tudo me é lícito, mas nem tudo me convém". O mal não está tanto na coisa em si; está em como nos conduzimos dentro dela.

O carnaval não seria o que é, se não fôssemos o que somos. É natural a presença do jovem espírita em festas e boates; no entanto, ao adentrar uma casa de diversão, ele não pode deixar lá fora a sua condição religiosa, como se tal condição lhe fosse uma capa da qual ele pudesse despir-se à vontade."

Há quem se isole em grupos religiosos para orar ou pular um carnaval mais cristianizado, onde a alegria não precisa de drogas, sexo desregrado, atitudes desequilibradas.

Então, podemos concluir que, seria bom evitarmos, mas se não for possível, podemos nos divertir, mas nos comportemos como cristãos seja lá onde estivermos. ORAÇÃO e VIGILANCIA é a recomendação sempre atual.

(Compilação de Rudymara retirado do texto da Revista Espírita e do livro Mediunidade na Mocidade de Carlos A. Baccelli)

Publicado no http://www.feig.org.br

sábado, 16 de janeiro de 2016

Gabriel Delanne – Um Pesquisador Incansável


Virada de século, virada de milênio, ótima oportunidade para refletir e analisar as diversas contribuições feitas no século XX ao Espiritismo e as chamadas ciências do espírito. Gabriel Delanne (juntamente a Leon Denis) marca a transição do Espiritismo do século XIX, influenciado pela presença de Kardec, para o Espiritismo do início do século XX, buscando sua afirmação científica, tentando empolgar os homens de ciência da época.  


Gabriel Delanne - amigo de Allan Kardec e Flammarion



Nascido em Paris, no dia 23 de março de 1857 – no mesmo ano da publicação de "O Livro dos Espíritos" – Delanne foi (juntamente com Leon Denis) o discípulo mais próximo de Alan Kardec.


Além disso, foi provavelmente a 1a grande personagem espírita nascida em uma família espírita. Apenas para recordar, Allan Kardec toma conhecimento dos fenômenos espíritas aos 50 anos e Leon Denis era adolescente quando ouviu falar pela 1a vez do Espiritismo.


Gabriel Delanne nasceu em família espírita, seu pai Alexandre Delanne acompanhou de perto os trabalhos de Allan Kardec tendo formado um pequeno grupo familiar de estudos espíritas tendo como médium escrevente sua esposa (e mão de Gabriel) Alexandrine Delanne.

Portanto desde criança Gabriel Delanne estava familiarizado com o vocabulário espiritista e assistiu desde muito pequeno a numerosas sessões espíritas. Delanne, inclusive, travou contato com o mestre Kardec na sua infância – Kardec faleceu quando Delanne tinha 12 anos de idade.

Uma vida atribulada e sofrida

Gabriel Delanne iniciou seus estudos no colégio Cluny (em Saone-et-Loire), depois no colégio de Grau (em Haute-Soane) e aos 19 anos ingressou na Escola Central das Artes e Manufatura.

Como a situação financeira de seus pais não permitiu a conclusão de seus estudos começou a trabalhar na Companhia de Ar Comprimido e de Eletricidade Popp onde esteve até 1892, dividindo seu tempo entre seu trabalho e sua dedicação ao Espiritismo.

Delanne não gozava de boa saúde. De menino tinha um abscesso no olho esquerdo – pelo qual foi isento do serviço militar – o qual resultou numa infecção que iria progressivamente prejudicar sua visão. No curso dos anos seu estado de saúde foi se agravando.

Em 1906 a paralisia dos membros inferiores obrigava-o a andar com duas bengalas. Nem por isso abandonou as conferências na França e no exterior, sempre divulgando as idéias espíritas. No período da 1a guerra (1914/18) a saúde de Delanne piorou ainda mais.

Cada movimento era um grande sofrimento e ainda por cima ficou cego. Em 1918 já não conseguia mais andar sendo necessário o uso de cadeira de rodas. Não obstante todo esse sofrimento físico continuou produzindo incessantemente, retirado na vila de Montmorency onde Jean Myer lhe havia dado asilo.

Sua morte se deu em 15 de fevereiro de 1926, aos 69 anos de idade. Sua sepultura se encontra no famoso cemitério parisiense de Pere Lachaise.

Contribuições ao Espiritismo:


Como já dito Gabriel Delanne marcou a transição e a continuação da obra de Kardec. Defensor ferrenho do caráter cientifico da Doutrina Espírita dedicou a maior parte de seus esforços na luta por consolidar o Espiritismo como uma ciência estabelecida e complementar às outras. Foi presidente da União Espírita Francesa, presidente da Sociedade de Estudos dos Fenômenos Psíquicos, fundador e diretor da Revista Cientifica e Moral de Espiritismo. Escritor de grande talento dentre suas principais obras destacam-se:

1 - O Espiritismo Perante a Ciência, O Fenômeno Espírita, A Evolução Anímica,

2 - A Reencarnação, A Alma é Imortal, Katie King, As Materializações da Vila Carmen

Marcam suas obras a defesa ferrenha dos conceitos espíritas e o combate ao materialismo. Utilizando o método racional empregado na época, faz uso de casos e observações para comprovar suas hipóteses.

Apesar de aceitar a revelação dos espíritos, sempre procurou a comprovação através dos fatos. No meu entender sua maior contribuição ao Espiritismo foi a tese do Perispírito.
Se o conceito do Perispírito havia sido introduzido por Allan Kardec, foi Delanne quem o definiu, estudou e atribuiu diversas funções na economia corporal e espiritual.
Vitalista atribui ao perispírito a resposta às questões pendentes de sua época:

  - Como explicar a vida?  Por que se morre? Como a estabilidade orgânica é mantida frente a renovação celular constante?

- Como explicar a ação inteligente da alma sobre o corpo?

- Onde se localiza a memória?

- Como se dá a evolução anímica? 

Para todas essas questões Delanne ofereceu como resposta a existência do Perispírito, suas características e funções.

Além disso, desenvolveu brilhante explicação acerca dos fenômenos espíritas, novamente utilizando o Perispírito como peça central, sempre ressaltando que o Espiritismo não tinha nada de sobrenatural e se calcava em bases naturais, ou seja, na existência desse corpo físico, porém etéreo, ponte entre a alma e o corpo físico. 

Introduziu também com muita força a noção do fluido vital. Finalmente atribuiu ao Perispírito a sede da memória, estabelecendo assim uma ligação entre a reencarnação e a evolução anímica.

De certa forma todo o desenvolvimento científico tentado por diversos autores espíritas, como André Luiz e Hernani G. Andrade, baseiam-se nos postulados de Delanne. É mister admitir que o progresso da ciência demonstrou que várias hipóteses de Delanne estão incorretas, porem é notável o esforço feito por ele para colocar o Espiritismo par a par com a ciência, não só pelo método empregado, mas pela busca constante de fatos que comprovem suas proposições.

A leitura de suas obras mostra um Delanne apaixonado, convencido da força das idéias espíritas e mais que tudo consciente do impacto moral das mesmas, como nos atesta o seguinte trecho da conclusão de sua obra "A Evolução Anímica" (Delanne, Gabriel – 6a Edição; Ed. FEB – pág. 252):

“Com a certeza das vidas sucessivas e da responsabilidade dos nossos atos, muitos problemas revelar-se-ão sob novos prismas”. As lutas sociais, que atingem, nesta nossa época, um caráter de aguda aspereza, poderão ser suavizadas pela convicção de não ser a existência planetária mais que um momento transitório no curso de uma eterna evolução.
Com menos orgulho nas camadas altas e menos inveja nas baixas, surgirá uma solidariedade efetiva, em contacto com estas doutrinas consoladoras, e talvez possamos ver desaparecer da face da Terra às lutas fratricidas, ineptos frutos da ignorância, a se dissiparem diante dos ensinamentos de amor e fraternidade, que são a coroa radiosa do Espiritismo.”.



Por toda sua dedicação a idéia espírita, na defesa do aspecto científico do Espiritismo e por seu humanismo Gabriel Delanne merece lugar de destaque entre os pensadores que contribuíram para a evolução da idéia espírita no século XX.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Entrevistando o médium Chico Xavier



No seu modo de entender, como se situa o Espiritismo no Brasil?

Desde muito, os instrutores desencarnados nos ensinam, por via mediúnica, que o Espiritismo no Brasil é realmente a Doutrina Codificada por Allan Kardec, restaurando os ensinamentos de Jesus, em sua simplicidade e clareza. Enquanto em muitos países diferentes do nosso, a prática espírita se resume a observações puramente científicas e a técnicas mediúnicas, entre nós, brasileiros, o assunto assume características diversas, compreendendo-se que o reconhecimento da imortalidade da alma faz-se acompanhar de consequências morais a que não nos será lícito fugir. 

Aprendemos com Allan Kardec que a Doutrina Espírita é a presença espiritual de Nosso Senhor Jesus Cristo na Terra, conclamando à vivência real dos seus ensinamentos de luz e amor. Em razão disso, o Espiritismo no Brasil é a caridade em ação com a fé raciocinada baseando-lhe as iniciativas e movimentos. Consultemos o acervo das instituições assistenciais do Espiritismo Cristão, espalhadas no Brasil inteiro e observemos a difusão das obras de Allan Kardec, em todo o nosso País, com a supervisão e o devotamento da Federação Espírita Brasileira e ser-nos-á fácil reconhecer em nosso desenvolvimento coletivo a presença do Espiritismo em sua legítima expressão, a definir-se como sendo o retorno das criaturas ao Cristianismo simples e puro. 

A Maior antena psíquica de todos os tempos
 

Estimaríamos colher a sua opinião a respeito dos últimos conflitos que colocaram em perigo a Paz Mundial...

Atentos aos nossos deveres de ordem doutrinária, já que o Espiritismo é a religião de Jesus, endereçada ao burilamento e confraternização dos homens, não seria cabível viéssemos a analisar os conflitos atuais do mundo, sob o ponto de vista político. Essa tarefa, na opinião de Emmanuel, o dedicado orientador espiritual que nos dirige as atividades, compete aos mentores encarnados da vida internacional. Todos nós, os religiosos de todos os climas, nos reconhecemos atualmente defrontados por crises de insatisfação em quase todos os domínios da Humanidade, e, por isso mesmo, segundo as instruções que recebemos dos benfeitores espirituais, a nossa melhor atitude é a da prece, em favor dos líderes das nações, rogando a Deus os ilumine e guie, a fim de que todos eles se unam, no respeito às leis que o progresso já nos confiou, evitando grande guerra, cujos efeitos calamitosos, não conseguimos prever, nem calcular.


Como vê o futuro do Brasil?

Na condição de espírita, conquanto a minha indigência de tudo, confio plenamente no futuro de nosso País, invariavelmente consagrado ao trabalho e ao direito, ao progresso e à paz. Peçamos a Deus nos conserve leais à fraternidade que Jesus nos ensinou, de vez que, na vivência do Evangelho, ser-nos-á possível cooperar na edificação do Brasil espiritual, destinado a ser, conforme as lições de nossos mentores da Vida Maior, o celeiro de luz e concórdia, justiça e aperfeiçoamento para a Humanidade inteira.

Fonte: No mundo de Chico Xavier, IDE cap. 16 – Elias Barbosa

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"Meus caros amigos e irmãos espíritas, os assuntos atualíssimos abordados por Francisco Cândido Xavier, nos leva a reflexões seríssimas quanto à nossa conduta no mundo atual. Por isso nos lembramos da recomendação de Jesus:

Não se pode servir a dois Senhores!!! "

Cezar Carneiro de Souza


Uberaba, janeiro de 2016

sábado, 12 de dezembro de 2015

Você tem Melindres?

Os Espíritos amigos, por meio do Chico Xavier, ampliaram o campo das possibilidades de autoconhecimento e de reflexão em torno das nossas atitudes e sentimentos.


Lendo um trecho de Caminho, Verdade e Vida, de Emmanuel, nos deparamos com o trecho abaixo:

Os melindres pessoais, as falsas necessidades, os preconceitos cristalizados, operam muita vez a cegueira do espírito. Procedem daí imensos desastres para todos os que guardam a intenção de bem fazer, dando ouvidos, porém, ao personalismo inferior.


melindre, em particular, é tema recorrente nos escritos de Emmanuel e foi bem definido pelo dicionarista Houaiss: “disposição para se ressentir de coisa insignificante”.

Nós nos ressentimos (sentimos demasiadamente), nos magoamos, nos ofendemos em razão do que alguém nos fez ou deixou de fazer; disse ou deixou de dizer...

Quando agimos assim demonstramos o quanto somos frágeis, nos deixando abalar ou abater por outrem. De alguma forma autorizamos outras pessoas a nos afetar, alterar o nosso humor, jogar para baixo nossas resistências morais.




Melindres


Estar, ficar ou permanecer melindrado não é certamente um bom estado de espírito...

O melindre precisa de algumas situações-chave para ser deflagrado. Um dos seus gatilhos é o sentimento de contrariedade.

Na fase infantil, esta atitude se manifesta com frequência e se não ajustada costuma crescer demasiadamente.

É o que ocorre quando mimamos as crianças. Tratar com mimo, com excesso de cuidado, é algo que alguns adultos fazem para diminuir a contrariedade (o aborrecimento, o desgosto, o desconforto) que elas apresentam. 

Crescemos e voltamos a nos mostrar contrariados (e com baixa resistência à frustração) em muitas situações, por vezes de modo muito acentuado. O problema é que agora as motivações vêm misturadas com vícios morais como o orgulho, a vaidade e outras esquisitices que costumamos abrigar na alma.

Se nos sentimos melindrados, respiremos fundo, sacudamos a poeira de nossas velhas disposições interiores e nos renovemos.

Por vezes será mesmo necessário relevar o erro alheio, compreender a situação, perdoar os excessos e as indelicadezas.

Se já despertamos para as nossas responsabilidades diante da vida, temos muito que realizar! Perder tempo com melindres não é, definitivamente, uma atitude sensata.

Publicado no site da Federação Espírita de Rondônia - http://www.fero.org.br

sábado, 21 de novembro de 2015

Dividir para Multiplicar com Rosangela Pires

Rosangela Pires

Todos nossos colaboradores estão convidados!

Rosângela Pires, reside na cidade de Guarulhos, SP. É pedagoga e atua como Consultora Motivacional. É espírita desde os onze anos de idade e tem trabalhado no movimento espírita ministrando cursos, palestras, workshops e seminários. (Fonte: Ismael Gobbo)

É Presidente do Centro Cultural Espirita Reflorescer da cidade de Áruja/SP




Venha participar!
 

Poema de Gratidão - Amélia Rodrigues

Psicografia de Divaldo Pereira Franco


Muito obrigado Senhor!

Muito obrigado pelo que me deste. 
Amélia Rodrigues

Muito obrigado pelo que me dás.



Obrigado pelo pão, pela vida, pelo ar, pela paz.
Muito obrigado pela beleza que os meus olhos 
vêem no altar da natureza.
Olhos que fitam o céu, a terra e o mar 
Que acompanham a ave ligeira que corre fagueira pelo céu de anil
E se detém na terra verde, salpicada de flores em tonalidades mil.

Muito obrigado Senhor!
Porque eu posso ver meu amor.
Mas diante da minha visão
Eu detecto cegos guiando na escuridão
que tropeçam na multidão
que choram na solidão.

Por eles eu oro e a ti imploro comiseração
porque eu sei que depois desta lida, na outra vida, eles também enxergarão!

Muito obrigado Senhor!
Pelos ouvidos meus que me foram dados por Deus.
Ouvidos que ouvem o tamborilar da chuva no telheiro
A melodia do vento nos ramos do olmeiro
As lágrimas que vertem os olhos do mundo inteiro!

Ouvidos que ouvem a música do povo que desce do morro na praça a cantar.
A melodia dos imortais, que se houve uma vez e ninguém a esquece nunca mais!
A voz melodiosa, canora, melancólica do boiadeiro.
E a dor que geme e que chora no coração do mundo inteiro!

Pela minha alegria de ouvir, pelos surdos, eu te quero pedir
Porque eu sei
Que depois desta dor, no teu reino de amor, voltarão a sentir!

Obrigado pela minha voz
Mas também pela sua voz
Pela voz que canta
Que ama, que ensina, que alfabetiza,
Que trauteia uma canção
E que o Teu nome profere com sentida emoção!

Diante da minha melodia
Eu quero rogar pelos que sofrem de afazia.
Eles não cantam de noite, eles não falam de dia.
Oro por eles
Porque eu sei, que depois desta prova, na vida nova
Eles cantarão!

Obrigado Senhor!
Pelas minhas mãos
Mas também pelas mãos que aram
Que semeiam, que agasalham.
Mãos de ternura que libertam da amargura
Mãos que apertam mãos
De caridade, de solidariedade
Mãos dos adeuses
Que ficam feridas
Que enxugam lágrimas e dores sofridas!

Pelas mãos de sinfonias, de poesias, de cirurgias, de psicografias!
Pelas mãos que atendem a velhice
A dor
O desamor!

Pelas mãos que no seio embalam o corpo de um filho alheio sem receio!
E pelos pés que me levam a andar, sem reclamar!

Obrigado Senhor!
Porque me posso movimentar.
Diante do meu corpo perfeito
Eu te quero rogar
Porque eu vejo na Terra
Aleijados, amputados, decepados, paralisados, que se não podem movimentar.
Eu oro por eles
Porque eu sei, que depois desta expiação
Na outra reencarnação
Eles também bailarão!

Obrigado por fim, pelo meu Lar.
É tão maravilhoso ter um lar!
Não é importante se este Lar é uma mansão, se é uma favela, 
uma tapera, um ninho, um grabato de dor, um bangalô, uma casa do caminho ou seja lá o que for.

Que dentro dele, exista a figura
do amor de mãe, ou de pai
De mulher ou de marido
De filho ou de irmão
A presença de um amigo
A companhia de um cão
Alguém que nos dê a mão!

Mas se eu a ninguém tiver para me amar
Nem um teto para me agasalhar,
nem uma cama para me deitar
Nem aí reclamarei.

Pelo contrário, eu te direi
Obrigado Senhor!
Porque eu nasci!
Obrigado porque creio em ti

Pelo teu amor, obrigado senhor!"