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segunda-feira, 16 de maio de 2016

OS CRISTÃOS PRIMITIVOS CHAMAVAM O ESPIRITISMO DE PNEUMATOLOGIA

Na Bíblia, os fenômenos mediúnicos são conhecidos como  proféticos. E entre os primeiros cristãos, eles eram chamados também de pneumáticos, adjetivo esse derivado do substantivo grego “pneuma” (espírito). 


E, hoje, os fenômenos com espíritos, além de serem denominados mediúnicos, são também assim  chamados.


Porém, o que importa mais são os fenômenos em si, e, principalmente os bíblicos, de que procuraremos demonstrar alguns exemplos.

A Bíblia, de Gêneses até o Apocalipse, está cheia de fenômenos pneumáticos ou mediúnicos. “A lei foi anunciada pelos anjos.” (Atos 7: 53). Ora, anjos são espíritos enviados ao nosso mundo. Todo anjo é espírito (“pneuma”), mas nem todo espírito é anjo.

Se Moisés proíbe o contato com os espíritos (Deuteronômio cap. 18), é porque esse contato existe de fato. E ele fala de espíritos dos mortos e não dos tais de “diabos”. E aqui cabe um esclarecimento. Os anjos e demônios são os mesmos espíritos humanos, os já bem evoluídos que são os bons (anjos) e os ainda atrasados que são os maus. Mas, o grego é a língua em que foi escrito o Novo Testamento. 

E, nessa língua, “daimones” são espíritos humanos bons e maus. No singular é “daimon”.  Porém, como só se retiram “daimones” maus das pessoas, pois “daimones” bons não nos atormentam, passou-se a entender erradamente que todo “daimon” é mau! E assim, com o decorrer dos séculos, convencionou-se chamar os espíritos maus de demônios.

Há até uma tradição popular que nos demonstra que, na Bíblia, os espíritos são mesmo da mesma natureza dos “daimones”, ou seja, a que fala em anjo bom e anjo mau. E eis outro exemplo desse fato: Por analogia com o corpinho morto de uma criança, é comum as pessoas denominam-na de anjinho.

“Restitui-me a alegria da tua salvação, e sustenta-me com um espírito voluntário” (Salmo 51: 12). Não se trata do Espírito do próprio Deus nem do Espírito Santo dogmático da Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, mas de um espírito, bom, voluntário (um “daimon” bom). 

E lembramos aqui que o Espírito Santo bíblico é uma espécie de coletivo designando todos os espíritos. E, nesse caso bíblico, poderíamos dizer que o Espírito Santo de Daniel é um dos espíritos humanos representados pelo Espírito Santo bíblico, mas não o do dogma. (Daniel 13: 45 da Bíblia Católica).

Um espírito de um homem macedônio apareceu a Paulo dando-lhe orientação sobre uma viagem. (Atos 16: 9). É um espírito manifestante bom,  não o do próprio Deus.

  “Eis que meterei nele um espírito e ele, ao ouvir certo rumor, voltará para a sua terra; e nela eu o farei cair morto à espada.” (2 Reis 19: 7). O espírito não é o de Deus.

  “...O espírito de Elias repousa sobre Eliseu.” (2 Reis 2: 15). Não se trata também do Espírito do próprio Deus que é recebido pelo grande médium Eliseu.

  “Para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da Glória, vos conceda um espírito de sabedoria e de revelação no pleno conhecimento dele.” (Efésios 1: 17). Igualmente, aqui, o espírito enviado e recebido não é o do próprio Deus. 

Os exemplos dados escapam da maquiagem que fizeram na Bíblia para esconder os fenômenos mediúnicos ou pneumáticos, grandemente divulgados, hoje, pela Doutrina Espírita. 

E, na sua Vulgata Latina, são Jerônimo (princípio do século 5º) preferiu corretamente a tradução de “spiritus bonus” (espírito bom) à de Espírito Santo!

PS: Farei palestra no C.E.Joana de Ângelis, em 22-5-2016, às 19h, Rua São Manoel, 567, Vila Rosália, Guarulhos, Grande São Paulo - SP

 José Reis Chaves é escritor e palestrante Espírita



sexta-feira, 6 de maio de 2016

A PREDESTINAÇÃO, O AMOR E O SEMPITERNO PRESENTE DO PROJETO DE DEUS

Usamos, de preferência, o adjetivo português sempiterno, em vez de eterno, porque pelos termos bíblicos originais, em grego, “aionios” e “aêon”, e no latim da Vulgata Latina de são Jerônimo, “eternitas”, eles têm o sentido de tempo indeterminado e não de sem fim ou para sempre, como foram traduzidos. 



Se o significado fosse de tempo sem fim, as palavras apropriadas seriam “olam” em hebraico; “aidios” em grego; e “sempiternus” em latim derivado de “semper” (sempre).

Mas vamos ao assunto principal desta coluna de hoje. Sem exceção, Deus predestinou todos os seus filhos para a glória e a felicidade perenes e para sempre, por todas as eternidades. “Mas a misericórdia de Deus é de eternidade a eternidade.” (Salmo 103: 17). 

Sim, por tempos ou ciclos indeterminados, iniciando-se outro, logo que um chega ao fim e, assim, indefinidamente. Por isso, podemos chamá-los de tempo sempiterno de felicidades. 

E toda a criação de Deus é de um sempiterno presente de amor. “Não deixarás minha alma no inferno” (Salmo 15: 10).  Ora, se Deus não vai nos deixar no inferno, é porque vamos estar nele ou até já possamos estar, mas o certo é que não vamos ficar nele para sempre! O inferno é, pois, para nós eterno (tempo indefinido), mas não sempiterno (para sempre). 

Melhor dizendo, o inferno poderá ficar em nós por uns tempos, mas não para sempre, pois o reino de Deus é que, um dia, ficará em nós para sempre, já que o das trevas que está ainda dentro de nós é que é eterno ou passageiro e não sempiterno! 

Como já dissemos: “Mas a misericórdia de Deus é de eternidade a eternidade.” (Salmo 103: 17), isto é, em todas as eternidades ou em todo o tempo sem fim ou sempiterno presente de Deus, cuja misericórdia jamais cessa, pois é infinita.

Além disso, os nossos pecados ou faltas não fazem mal a Deus, mas aos nossos semelhantes e, por consequência, a nós mesmos que os cometemos. “Se pecas, que mal lhe causas tu?”; “Se as tuas transgressões se multiplicam, que lhe fazes?” (Jó 35: 6); “Se és justo, que lhe dás ou que recebe ele da tua mão?” (Jó 35: 7); e “A tua impiedade só pode fazer mal ao homem como tu mesmo, e a tua justiça dar proveito ao filho do homem.” (Jó 35:  8).

A doutrina da predestinação de Calvino que ensina que Deus criou uma parte dos espíritos para a salvação e outra para a condenação é, pois, um absurdo que não podemos atribuir a Deus que é um ser de perfeição e amor infinitos e que não faz, portanto, acepção de pessoas. “Reconheço por verdade que Deus não faz acepção de pessoas.” (Atos 10: 34); e “Deus é amor.” (1 João 4: 8). Ademais, como foi dito, Deus é imutável, não tendo o bem e o mal que fizermos nenhuma influência sobre Ele. 

E, por ser Ele amor infinito, não discrimina nenhum de seus filhos, e já nos criou todos de fato predestinados, mas para a alegria e a felicidade sempiternas. “Nos predestinou para Ele, para a adoção de filhos...” (Efésios 1: 5); e “O Senhor é misericordioso e compassivo; longânimo e assaz benigno.” “Não repreende perpetuamente, nem conserva para sempre a sua ira.” (Salmo 103: 8 e 9).

E até ousamos dizer que a doutrina da predestinação é uma blasfêmia contra Deus, já que ela atribui a Ele o absurdo de Ele criar parte de seus filhos predestinados para o sofrimento sempiterno, o que seria totalmente incompatível com seus atributos de misericórdia e amor infinitos!


José Reis Chaves é escritor e palestrante e apresenta o programa “Presença Espírita na Bíblia”, www.tvmundomaior.com.br .

segunda-feira, 25 de abril de 2016

A REGENERAÇÃO, A MISERICÓRDIA E O AMOR DE DEUS PREEXISTEM A NÓS

Os atributos e decisões de Deus são sempiternos, permanentes, sempre presentes e imutáveis. 

Assim, antes de sermos criados, a nossa regeneração, o amor e a misericórdia da parte de Deus para conosco já existiam. 

José Reis Chaves

Não foi, pois, por obras boas praticadas por nós, mas de fato de graça, pois ainda não existíamos. 


Porém, podemos receber agora essas benesses gratuitas de Deus bem ou mal, pois isso depende de nosso livre-arbítrio. E para recebê-las bem, temos que vivenciar o evangelho. Sim, pois Jesus não veio perder o seu tempo de trazê-lo para nós.

Sobre isso, vejamos um texto da carta de são Paulo a Tito (3: 5). E, para deixarmos mais claro seu conteúdo, fazemos uns parêntesis: “Quando, porém, se manifestou a benignidade de Deus, nosso Salvador, e o seu amor para com os homens, não por obras de justiça praticadas por nós (pois ainda não existíamos), mas segundo sua misericórdia, ele nos salvou mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo (nosso que se purificou).” 

Nosso corpo é santuário de um Espírito Santo.” (1 Coríntios 6: 19) O lavar regenerador feito pela nossa vivência evangélica leva-nos à nossa regeneração, evolução, aperfeiçoamento através da palingenesia (período das reencarnações), por meio do evangelho de Jesus Cristo. 

E, por oportuno, São Paulo não conheceu o Espírito Santo do dogma trinitário, que só foi criado mais tarde pelos teólogos. (Mais detalhes em meu livro “A Face Oculta das Religiões”, lançado também em inglês nos Estados Unidos).

A nossa regeneração, como já foi dito, já aconteceu. 

E cabe a nós, agora, fazermos a nossa parte, na nossa peregrinação terrena durante as reencarnações através da vivência do evangelho. Aliás, a nossa regeneração, no citado texto paulino, significa exatamente a concretização da nossa moral cristã baseada no ensino moral do evangelho.

Ora, se a nossa regeneração vem de Deus, mas se completa através da prática do evangelho, como acabamos de ver, mas se mais alguma coisa ainda nos falta, para que ela se concretize tornando-se uma realidade atualizada lá no final dos tempos, no Juízo Final, é mesmo a nós mesmos que cabe fazermos o que nos falta, pois, realmente, Deus e Jesus já fizeram tudo o que lhes cabia fazer e do melhor modo possível. 

E, agora, é mesmo conosco. Ou vamos seguir uma religião da preguiça?

Nós fomos criados por Deus semelhantes a Ele, em espírito e em perfeição. Mas essa perfeição foi só em estado de potencialidade ou de semente. 

E estamos procurando concretizar essa semelhança, não a igualdade, com Deus, através da palingenesia (período das reencarnações), ao longo dos milênios. Mas atentemos para o fato de que, com somente uma vida terrena, nós não conseguiríamos nem começar a construir essa semelhança com Deus, a qual é a nossa longa regeneração. 

Por isso, precisamos mesmo de muito tempo, ou seja, de muitas reencarnações para realizarmos essa nossa regeneração com o lavar regenerador do nosso próprio Espírito Santo.

E aqui nos vem uma pergunta. Se houvesse uma vida só terrena para o nosso Espírito Santo ser lavado por meio da nossa real vivência do evangelho, como ficaria uma pessoa que morresse ainda criança ou até nascesse já morta? 

Não vale dizer que se trata de um mistério de Deus, explicação essa dada pelos teólogos para justificar a criação por eles, e não por Deus, de doutrinas misteriosas e confusas!

José Reis Chaves - escritor e palestrante 



segunda-feira, 11 de abril de 2016

PALINGENESIA VEM DO GREGO E É SINÔNIMA DO CICLO REENCARNATÓRIO


Voltamos à palingenesia, porque os numerosos comentários no www.otempo.com.br o exigem. 




Sua etimologia vem de duas palavras gregas “palin” (de novo) e “genesis” (geração): de movo em geração; regresso à vida depois da morte, o que deixa claro que se trata da reencarnação, mas está traduzida erradamente na Bíblia por regeneração, que é uma consequência das gerações ou reencarnações, mas  não a própria regeneração.      

Para o professor de grego, doutor em Bíblia em Roma, o padre Carlos Torres Pastorino, autor de “Sabedoria do Evangelho” (oito volumes), a tradução de palingenesia na Bíblia por “regeneração” (Mateus 19: 28; e Tito 3: 5) é forçada para ocultar o sentido reencarnacionista do contexto. 

E não conhecemos, no cristianismo moderno, maior conhecedor da Bíblia do que Pastorino! 

A reencarnação foi aceita no cristianismo até o Concílio Ecumênico de Constantinopla (553), convocado e dirigido pelo Imperador Justiniano e à revelia da vontade do Papa Virgílio. 

Há muitas obras sobre a reencarnação na Bíblia de autores espíritas e não espíritas de vários países, entre eles o deste colunista: “A Reencarnação na Bíblia e na Ciência”, lançado também em inglês, nos Estados Unidos.

Muitos dizem que a palavra reencarnação não está na Bíblia, o que é verdade, pois ela só foi criada em meados do Século Dezenove por um grupo de cientistas europeus, entre eles Kardec, quando já havia dezoito séculos que a escrita da Bíblia já tinha sido terminada. Mas ela está sim na Bíblia através de outras palavras sinônimas dela ou de expressões equivalentes a ela: nascer “de novo” (“anothen”). 

E durante dois mil anos, esse advérbio grego de quantidade “anothen” foi traduzido para o português na Bíblia pela locução adverbial “de novo”. E assim se dizia no evangelho de João capítulo 3 e com ênfase nos sermões dos padres e pastores: Para se chegar ao reino de Deus, temos que “nascer de novo”. 

Mas porque a crença na reencarnação, ultimamente, cresceu muito entre os cristãos, os teólogos e tradutores das novas edições bíblicas passaram a traduzir esse advérbio grego de quantidade “anothen” pela locução adverbial de lugar portuguesa “do alto”. 

Mas essa manobra para mudar o sentido reencarnacionista tradicional do texto evangélico “de novo” para “do alto” não colou, pois o espírito que reencarna renasce também “do alto”, ou seja, dos céus ou mundo espiritual!

Quando se diz que uma pessoa fez a passagem para o mundo espiritual ou morreu, esses dois modos de falar têm o mesmo sentido. E assim, quando se diz que “palingenesia é “retorno à vida” (Dicionário Prático Ilustrado, de Portugal) e “renascimento sucessivo dos mesmos indivíduos” (Dicionário de Aurélio com Schopenhauer), os dois dicionários estão falando de modo diferente a mesma coisa, ou seja, a reencarnação. Só não vê isso quem não quer ver mesmo!    

Mas podemos interpretar também palingenesia nas traduções erradas bíblicas (Mateus 19: 28; e Tito 3: 5), como sendo o período das nossas reencarnações. E, teologicamente falando, a nossa regeneração já foi feita, antecipadamente, pelo projeto de Deus quando da criação do homem. 

Mas cabe a nós, agora, fazermos também a nossa parte, para o que, exatamente, Deus nos deu a graça de outras vidas, pois essa parte que nos toca fazer não se faz num pescar de olhos, mas durante as longas eternidades das reencarnações!

PS: José Reis Chaves apresenta o“Presença Espírita na Bíblia”na www.tvmundomaior.com.br .
  





segunda-feira, 4 de abril de 2016

ESCREEVERAM A BÍBLIA HOMENS INSPIRADOS POR ESPÍRITOS TIDOS COMO DEUS



Inspiração não é um ditado. E talvez seja melhor chama-la de intuição e “insights”, pois essas duas alternativas são ideias novas desconhecidas que nos vêm inesperadamente. 

José Reis Chaver


A inspiração ou intuição é de Deus, se ela chega a nós através de um espírito bom, santo, pois tudo que é bom, no fundo, vem de Deus. 

Mas não se trata de uma influência direta do próprio Deus sobre nós, mas de um espírito do bem, procedente de Deus. A Bíblia diz, pois, que um espírito é de Deus nesse sentido de ele ser do bem. “Não são todos eles anjos espíritos ministradores enviados para serviço, a favor dos que hão de herdar a salvação?” (Hebreus 1: 14). 

“Que o Deus de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai a quem pertence a glória, vos dê um espírito de sabedoria, que o revele a vós e faça conhecer verdadeiramente.” (Efésios 1: 17). 

Esse texto, além de nos demonstrar que Jesus Cristo não é Deus mesmo, absoluto, demonstra-nos também que o espírito a ser enviado não é o Espírito Santo da Terceira Pessoa trinitária, que é tida por muitos como sendo o próprio Deus. 

E perguntamos qual dos dois Espíritos Santos é o Deus verdadeiro, o da Terceira  ou o da Primeira Pessoa trinitária? Ademais, fica evidente nessa passagem de Efésios que não se trata da Primeira nem da Terceira Pessoas trinitárias, mas apenas de um espírito de sabedoria. 

Aliás, como dizemos frequentemente nas matérias dessa coluna de O TEMPO, Paulo não conheceu o Espírito Santo da Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, que foi imaginado e criado, aos poucos, pelos teólogos, e que começou a ter uma existência mais oficial no Concílio Ecumênico de Constantinopla (381), o primeiro realizado nesta cidade.

E o apóstolo e evangelista são João chama-nos a atenção para que examinemos os espíritos, pois há espíritos de vários níveis enquanto estão encarnados, tentando, mentindo, atormentando e cometendo crimes, e que quando desencarnam, continuam na mesma, enganando e obsidiando as pessoas, principalmente as que foram seus inimigos nesta vida ou em outras anteriores. 

Atualmente, a passagem joanina a que estamos nos referindo está adulterada nos meios evangélicos para ocultar nela a presença claríssima de espíritos. E vamos, pois, apresentá-la na íntegra como ela está nas bíblias mais antigas: “Amados, não deis crédito a qualquer espírito: antes provai se os espíritos se procedem de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo fora.” (1 João 4: 1). 

João demonstra-nos, também, que não é o Espírito Santo que se comunica, pois ele fala de espíritos no plural e não de que devamos constatar se se trata do Espírito Santo trinitário dogmático que, aliás, ele nem conheceu. 

E essa passagem demonstra-nos, ainda, que as profecias podem ser feitas também por espíritos através de profetas (médiuns) que os recebem. E mais, a leitura da continuação do texto, no versículo dois seguinte, mostra-nos que todo espírito que for de Deus, isto é, do bem, diz verdades, não negando, pois, que Jesus veio em carne, condenando assim os docetistas do seu tempo, que ensinavam que Jesus, só aparentemente, veio em carne. 

Esse ensino de João é muito importante, principalmente, para muitos cristãos das gerações futuras depois dele, que, ao receberem espíritos bons, ou que fingem ser bons, vêm pensando erradamente que os espíritos que recebem são o do próprio Deus! 

PS: Recomendo “O Nome de Deus é Misericórdia”, do Papa Francisco, Ed. Planeta, mfigueiredo@editoraplaneta.com.br

José Reis Chaves - Prof. de português e literatura aposentado formado na PUC Minas
Escritor e jornalista colunista do diário O TEMPO, de Belo Horizonte
Palestrante nacional e internacional espírita e de outras correntes
espiritualistas
Apresentador  do programa “Presença Espírita na Bíblia” da TV Mundo Maior
Participante do programa “O Consolador” da Rádio Boa Nova
Tradutor de "O Evangelho Segundo o Espiritismo", de Kardec, para a
Editora Chico Xavier.
E autor dos livros, entre outros, "A Reencarnação na Bíblia e na
Ciência" e "A Face Oculta das Religiões", Editora EBM, SP, ambos
lançados também em inglês nos Estados Unidos.

Facebook: www.facebook.com/jreischaves
E-mail:  jreischaves@gmail.com
Site: www.josereischaves.com.br

Podem-se ler também as matérias da coluna de José Reis Chaves em O
TEMPO, de Belo Horizonte, no seu facebook e no site desse jornal:
www.otempo.com.br 
 

terça-feira, 22 de março de 2016

MÉDIUNS RECEBEM ESPÍRITOS BONS QUE ELES PENSAM SER O DO PRÓPRIO DEUS

A mediunidade, hoje, é estudada em grandes universidades, e há até teses pós-graduação sobre ela:   http://psicografiaeprovajudicial.blogspot.com.br/

E é, principalmente, pela ignorância do povo judeu e da prática de comércio e charlatanice envolvendo-a, que Moisés proibiu sua prática em Deuteronômio capítulo 18. 



Kardec deixou claro que, quando ele dizia que uma pessoa era médium, ele queria dizer que ela possui um dom especial igual ao dos profetas bíblicos. E eles eram chamados também de videntes (1 Samuel 9: 9).  

Ademais, Joel e são Pedro profetizaram que, no futuro, todas as pessoas seriam profetas. E todo espírito é como se fosse uma extensão de Deus, daí a frase: “Derramarei de meu Espírito sobre toda carne.” “Vossos filhos e vossas filhas profetizarão, vossos jovens terão visões, e sonharão vossos velhos...” (Joel 2: 28; e Atos 2: 17 e 18).

A mediunidade está presente em pessoas de todas as religiões e até nas ateias. São Paulo a chama de dom espiritual, ou seja, dos nossos espíritos. Ela consiste no dom de os médiuns atraírem espíritos que se manifestam através deles. 

Porém, numa manobra inteligente, mas infeliz, pois anulou uma verdade bíblica, os teólogos do cristianismo abafaram esse dom da mediunidade, passando a ensinar que era o Espírito Santo da Terceira Pessoa trinitária que se manifesta e não um espírito humano bom (“bonus”), como diz são Jerônimo na Vulgata Latina. 

O Espírito Santo, Deus trinitário, foi criado por eles, principalmente, a partir do Concílio Ecumênico de Constantinopla (381). E ensinaram que só o papa e os bispos podiam recebê-lo, abafando, assim, o dom espiritual da mediunidade. 

Os poucos padres e bispos médiuns que recebiam espíritos bons acreditavam que fossem o Espírito Santo trinitário, mas ficavam confusos quando recebiam espíritos atrasados que não  podiam, pois, ser tidos como o Espírito de Deus. 

E passaram a chamar esses espíritos de demônios (“daimones”). Mas, como se diz, o tiro saiu pela culatra, pois demônios são almas humanas boas ou más! 

Mais tarde, os que tinham o dom de mediunidade, principalmente, se fossem mulheres, eram tidos como ‘endemoninhados’, bruxos e feiticeiros, e morriam nas fogueiras da Inquisição. Mas nada ficará oculto, ensinou o excelso Mestre. E, com o fim da Inquisição, a mediunidade vem avançando, como vimos, segundo as profecias de Joel e são Pedro.

 “Samuel profetizou até depois de morto.” (Eclesiástico 46: 20). Não foi, pois, o cadáver dele que profetizou, mas o espírito santo ou a alma santa dele, e através de um médium, sem o que não poderia haver a comunicação dele. Os protestantes e, principalmente, os evangélicos pentecostais e fundamentalistas vão dizer que o Eclesiástico é da Bíblia Católica da qual Lutero retirou sete livros, entre eles esse livro, apócrifo para eles. 

Mas a Bíblia Católica é muito mais confiável do que a de Lutero! 

Ademais, no Livro de Números 11: 24 a 30, Moisés não só reconhece como válida a recepção de espíritos que profetizavam pelos profetas encarnados ou médiuns Heldade e Medade, mas até os elogia! 

E nesse episódio, não é também o Espírito Santo dogmático da Terceira Pessoa trinitária que profetizava, pois os dois recebiam espíritos (no plural) e não o próprio Espírito de Deus (no singular) como ainda pensam muitos cristãos médiuns, quando recebem bons espíritos!

José Reis Chaves - Prof. de português e literatura aposentado formado na PUC MinasEscritor e jornalista colunista do diário O TEMPO, de Belo HorizontePalestrante nacional e internacional espírita e de outras correntesespiritualistasApresentador  do programa “Presença Espírita na Bíblia” da TV Mundo MaiorParticipante do programa “O Consolador” da Rádio Boa NovaTradutor de "O Evangelho Segundo o Espiritismo", de Kardec, para aEditora Chico Xavier.E autor dos livros, entre outros, "A Reencarnação na Bíblia e naCiência" e "A Face Oculta das Religiões", Editora EBM, SP, amboslançados também em inglês nos Estados Unidos.


 PS: “Nos Passos do Mestre” nos cinemas, em 24-3-2016. Contato FEAL: Erika Silveira, (11) 2086-4360 - assessoria@feal.com.br


segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Palingenesia na Bíblia - Por José Reis Chaves



O vocábulo palingenesia, em grego e em várias línguas, significa retorno à vida, viver de novo ou reencarnação. Recomendamos, pois, a consulta nos dicionários de português e outras línguas sobre essa palavra pouco difundida na cultura religiosa cristã, exatamente porque ela significa reencarnação.

No Novo Testamento, esse vocábulo aparece por duas vezes (Mateus 19: 28; e Tito 3: 5), mas ele foi traduzido erroneamente  por regeneração, com a intenção escandalosa dos tradutores de esconderem a ideia da reencarnação ou de novo nascimento carnal. 

José Reis Chaves - Foto: You tube


“O que é nascido da carne, é carne” (João 3: 6). Aliás, essa adulteração, por si própria, prova a realidade bíblica da reencarnação, que foi feita depois que os teólogos do Concílio Ecumênico de Constantinopla (553) condenaram essa doutrina. Até esse concílio, ela, com outros nomes, era aceita pela Igreja. 
(Mais detalhes em nosso livro “A Reencarnação na Bíblia e na Ciência”, editado também em inglês nos Estados Unidos). 

E lembramos que, de fato, a regeneração acontecerá, mas é exatamente depois de muitas palingenesias. Portanto, como diz o dito popular, “colocaram o carro na frente dos bois!”

E eis outro exemplo de traduções falsificadas, já bem conhecido também de muitos de meus leitores em O TEMPO: a troca da preposição “em mais o artigo a” (na) por “até mais à”. 

O texto correto é: “...Deus zeloso, que visito a iniquidade dos pais nos filhos na terceira e quarta geração...” (Êxodo 20: 5), o que confere com a Vulgata Latina de são Jerônimo (início do quinto século), lê-se “in tertiam et in quartam generationem” (na terceira e quarta geração). 

O texto falsificado ficou assim: Deus zeloso, que visito iniquidade dos pais nos filhos “até à terceira e quarta gerações”, quando o correto já mencionado é: “Deus zeloso, que visito a iniquidade dos pais nos filhos “na terceira e quarta gerações.” 

O espírito, frequentemente, reencarna nos seus descendentes familiares,  mas não necessariamente. E, na terceira e quarta gerações (dos netos e bisnetos), os avós e bisavós já desencarnam, e seus espíritos, já livres, podem reencarnar num de seus descendentes.  

Recomendo verificação desse texto nas Bíblias de 1930 para trás, quando  ele era traduzido ainda corretamente para o português. E foi exatamente por causa do avanço da reencarnação e do espiritismo, que essa passagem bíblica e outras foram adulteradas com o objetivo de ocultar as doutrinas espíritas bíblicas.

 E geração na Bíblia não é só de descendentes consanguíneos, mas também do espírito. Cada geração dele é uma reencarnação. O próprio exemplo, que acabamos de ver, demonstra-nos essa grande verdade não comentada pelos líderes religiosos que são contrários à reencarnação. 

Vejamos outros textos bíblicos: “Mas, a quem hei de comparar esta geração?” (São Mateus 11: 16); e “Faço misericórdia até mil gerações daqueles que me amam e guardam os meus mandamentos.” (Êxodo 20: 6). 

Geração, nessas passagens, não é uma referência aos filhos, netos e bisnetos de alguém, mas às pessoas contemporâneas de Jesus, nas quais seus respectivos espíritos estavam reencarnados. 

Na última citação: “até mil gerações”, que importância haveria para uma pessoa que é a milésima descendente consanguínea de alguém? Trata-se mesmo, pois, da reencarnação coletiva daquele povo contemporâneo de Jesus.

Estudemos a Bíblia, mas sem a imposição das viseiras dos líderes religiosos contrários à palingenesia! 

Por José Reis Chaves - 
 
Prof. de português e literatura aposentado formado na PUC Minas
Escritor e jornalista colunista do diário O TEMPO, de Belo Horizonte
Palestrante nacional e internacional espírita e de outras correntes
espiritualistas
Apresentador  do programa “Presença Espírita na Bíblia” da TV Mundo Maior
Participante do programa “O Consolador” da Rádio Boa Nova
Tradutor de "O Evangelho Segundo o Espiritismo", de Kardec, para a
Editora Chico Xavier.
E autor dos livros, entre outros, "A Reencarnação na Bíblia e na
Ciência" e "A Face Oculta das Religiões", Editora EBM, SP, ambos
lançados também em inglês nos Estados Unidos.