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segunda-feira, 16 de maio de 2016

OS CRISTÃOS PRIMITIVOS CHAMAVAM O ESPIRITISMO DE PNEUMATOLOGIA

Na Bíblia, os fenômenos mediúnicos são conhecidos como  proféticos. E entre os primeiros cristãos, eles eram chamados também de pneumáticos, adjetivo esse derivado do substantivo grego “pneuma” (espírito). 


E, hoje, os fenômenos com espíritos, além de serem denominados mediúnicos, são também assim  chamados.


Porém, o que importa mais são os fenômenos em si, e, principalmente os bíblicos, de que procuraremos demonstrar alguns exemplos.

A Bíblia, de Gêneses até o Apocalipse, está cheia de fenômenos pneumáticos ou mediúnicos. “A lei foi anunciada pelos anjos.” (Atos 7: 53). Ora, anjos são espíritos enviados ao nosso mundo. Todo anjo é espírito (“pneuma”), mas nem todo espírito é anjo.

Se Moisés proíbe o contato com os espíritos (Deuteronômio cap. 18), é porque esse contato existe de fato. E ele fala de espíritos dos mortos e não dos tais de “diabos”. E aqui cabe um esclarecimento. Os anjos e demônios são os mesmos espíritos humanos, os já bem evoluídos que são os bons (anjos) e os ainda atrasados que são os maus. Mas, o grego é a língua em que foi escrito o Novo Testamento. 

E, nessa língua, “daimones” são espíritos humanos bons e maus. No singular é “daimon”.  Porém, como só se retiram “daimones” maus das pessoas, pois “daimones” bons não nos atormentam, passou-se a entender erradamente que todo “daimon” é mau! E assim, com o decorrer dos séculos, convencionou-se chamar os espíritos maus de demônios.

Há até uma tradição popular que nos demonstra que, na Bíblia, os espíritos são mesmo da mesma natureza dos “daimones”, ou seja, a que fala em anjo bom e anjo mau. E eis outro exemplo desse fato: Por analogia com o corpinho morto de uma criança, é comum as pessoas denominam-na de anjinho.

“Restitui-me a alegria da tua salvação, e sustenta-me com um espírito voluntário” (Salmo 51: 12). Não se trata do Espírito do próprio Deus nem do Espírito Santo dogmático da Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, mas de um espírito, bom, voluntário (um “daimon” bom). 

E lembramos aqui que o Espírito Santo bíblico é uma espécie de coletivo designando todos os espíritos. E, nesse caso bíblico, poderíamos dizer que o Espírito Santo de Daniel é um dos espíritos humanos representados pelo Espírito Santo bíblico, mas não o do dogma. (Daniel 13: 45 da Bíblia Católica).

Um espírito de um homem macedônio apareceu a Paulo dando-lhe orientação sobre uma viagem. (Atos 16: 9). É um espírito manifestante bom,  não o do próprio Deus.

  “Eis que meterei nele um espírito e ele, ao ouvir certo rumor, voltará para a sua terra; e nela eu o farei cair morto à espada.” (2 Reis 19: 7). O espírito não é o de Deus.

  “...O espírito de Elias repousa sobre Eliseu.” (2 Reis 2: 15). Não se trata também do Espírito do próprio Deus que é recebido pelo grande médium Eliseu.

  “Para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da Glória, vos conceda um espírito de sabedoria e de revelação no pleno conhecimento dele.” (Efésios 1: 17). Igualmente, aqui, o espírito enviado e recebido não é o do próprio Deus. 

Os exemplos dados escapam da maquiagem que fizeram na Bíblia para esconder os fenômenos mediúnicos ou pneumáticos, grandemente divulgados, hoje, pela Doutrina Espírita. 

E, na sua Vulgata Latina, são Jerônimo (princípio do século 5º) preferiu corretamente a tradução de “spiritus bonus” (espírito bom) à de Espírito Santo!

PS: Farei palestra no C.E.Joana de Ângelis, em 22-5-2016, às 19h, Rua São Manoel, 567, Vila Rosália, Guarulhos, Grande São Paulo - SP

 José Reis Chaves é escritor e palestrante Espírita



sexta-feira, 6 de maio de 2016

A PREDESTINAÇÃO, O AMOR E O SEMPITERNO PRESENTE DO PROJETO DE DEUS

Usamos, de preferência, o adjetivo português sempiterno, em vez de eterno, porque pelos termos bíblicos originais, em grego, “aionios” e “aêon”, e no latim da Vulgata Latina de são Jerônimo, “eternitas”, eles têm o sentido de tempo indeterminado e não de sem fim ou para sempre, como foram traduzidos. 



Se o significado fosse de tempo sem fim, as palavras apropriadas seriam “olam” em hebraico; “aidios” em grego; e “sempiternus” em latim derivado de “semper” (sempre).

Mas vamos ao assunto principal desta coluna de hoje. Sem exceção, Deus predestinou todos os seus filhos para a glória e a felicidade perenes e para sempre, por todas as eternidades. “Mas a misericórdia de Deus é de eternidade a eternidade.” (Salmo 103: 17). 

Sim, por tempos ou ciclos indeterminados, iniciando-se outro, logo que um chega ao fim e, assim, indefinidamente. Por isso, podemos chamá-los de tempo sempiterno de felicidades. 

E toda a criação de Deus é de um sempiterno presente de amor. “Não deixarás minha alma no inferno” (Salmo 15: 10).  Ora, se Deus não vai nos deixar no inferno, é porque vamos estar nele ou até já possamos estar, mas o certo é que não vamos ficar nele para sempre! O inferno é, pois, para nós eterno (tempo indefinido), mas não sempiterno (para sempre). 

Melhor dizendo, o inferno poderá ficar em nós por uns tempos, mas não para sempre, pois o reino de Deus é que, um dia, ficará em nós para sempre, já que o das trevas que está ainda dentro de nós é que é eterno ou passageiro e não sempiterno! 

Como já dissemos: “Mas a misericórdia de Deus é de eternidade a eternidade.” (Salmo 103: 17), isto é, em todas as eternidades ou em todo o tempo sem fim ou sempiterno presente de Deus, cuja misericórdia jamais cessa, pois é infinita.

Além disso, os nossos pecados ou faltas não fazem mal a Deus, mas aos nossos semelhantes e, por consequência, a nós mesmos que os cometemos. “Se pecas, que mal lhe causas tu?”; “Se as tuas transgressões se multiplicam, que lhe fazes?” (Jó 35: 6); “Se és justo, que lhe dás ou que recebe ele da tua mão?” (Jó 35: 7); e “A tua impiedade só pode fazer mal ao homem como tu mesmo, e a tua justiça dar proveito ao filho do homem.” (Jó 35:  8).

A doutrina da predestinação de Calvino que ensina que Deus criou uma parte dos espíritos para a salvação e outra para a condenação é, pois, um absurdo que não podemos atribuir a Deus que é um ser de perfeição e amor infinitos e que não faz, portanto, acepção de pessoas. “Reconheço por verdade que Deus não faz acepção de pessoas.” (Atos 10: 34); e “Deus é amor.” (1 João 4: 8). Ademais, como foi dito, Deus é imutável, não tendo o bem e o mal que fizermos nenhuma influência sobre Ele. 

E, por ser Ele amor infinito, não discrimina nenhum de seus filhos, e já nos criou todos de fato predestinados, mas para a alegria e a felicidade sempiternas. “Nos predestinou para Ele, para a adoção de filhos...” (Efésios 1: 5); e “O Senhor é misericordioso e compassivo; longânimo e assaz benigno.” “Não repreende perpetuamente, nem conserva para sempre a sua ira.” (Salmo 103: 8 e 9).

E até ousamos dizer que a doutrina da predestinação é uma blasfêmia contra Deus, já que ela atribui a Ele o absurdo de Ele criar parte de seus filhos predestinados para o sofrimento sempiterno, o que seria totalmente incompatível com seus atributos de misericórdia e amor infinitos!


José Reis Chaves é escritor e palestrante e apresenta o programa “Presença Espírita na Bíblia”, www.tvmundomaior.com.br .

segunda-feira, 11 de abril de 2016

PALINGENESIA VEM DO GREGO E É SINÔNIMA DO CICLO REENCARNATÓRIO


Voltamos à palingenesia, porque os numerosos comentários no www.otempo.com.br o exigem. 




Sua etimologia vem de duas palavras gregas “palin” (de novo) e “genesis” (geração): de movo em geração; regresso à vida depois da morte, o que deixa claro que se trata da reencarnação, mas está traduzida erradamente na Bíblia por regeneração, que é uma consequência das gerações ou reencarnações, mas  não a própria regeneração.      

Para o professor de grego, doutor em Bíblia em Roma, o padre Carlos Torres Pastorino, autor de “Sabedoria do Evangelho” (oito volumes), a tradução de palingenesia na Bíblia por “regeneração” (Mateus 19: 28; e Tito 3: 5) é forçada para ocultar o sentido reencarnacionista do contexto. 

E não conhecemos, no cristianismo moderno, maior conhecedor da Bíblia do que Pastorino! 

A reencarnação foi aceita no cristianismo até o Concílio Ecumênico de Constantinopla (553), convocado e dirigido pelo Imperador Justiniano e à revelia da vontade do Papa Virgílio. 

Há muitas obras sobre a reencarnação na Bíblia de autores espíritas e não espíritas de vários países, entre eles o deste colunista: “A Reencarnação na Bíblia e na Ciência”, lançado também em inglês, nos Estados Unidos.

Muitos dizem que a palavra reencarnação não está na Bíblia, o que é verdade, pois ela só foi criada em meados do Século Dezenove por um grupo de cientistas europeus, entre eles Kardec, quando já havia dezoito séculos que a escrita da Bíblia já tinha sido terminada. Mas ela está sim na Bíblia através de outras palavras sinônimas dela ou de expressões equivalentes a ela: nascer “de novo” (“anothen”). 

E durante dois mil anos, esse advérbio grego de quantidade “anothen” foi traduzido para o português na Bíblia pela locução adverbial “de novo”. E assim se dizia no evangelho de João capítulo 3 e com ênfase nos sermões dos padres e pastores: Para se chegar ao reino de Deus, temos que “nascer de novo”. 

Mas porque a crença na reencarnação, ultimamente, cresceu muito entre os cristãos, os teólogos e tradutores das novas edições bíblicas passaram a traduzir esse advérbio grego de quantidade “anothen” pela locução adverbial de lugar portuguesa “do alto”. 

Mas essa manobra para mudar o sentido reencarnacionista tradicional do texto evangélico “de novo” para “do alto” não colou, pois o espírito que reencarna renasce também “do alto”, ou seja, dos céus ou mundo espiritual!

Quando se diz que uma pessoa fez a passagem para o mundo espiritual ou morreu, esses dois modos de falar têm o mesmo sentido. E assim, quando se diz que “palingenesia é “retorno à vida” (Dicionário Prático Ilustrado, de Portugal) e “renascimento sucessivo dos mesmos indivíduos” (Dicionário de Aurélio com Schopenhauer), os dois dicionários estão falando de modo diferente a mesma coisa, ou seja, a reencarnação. Só não vê isso quem não quer ver mesmo!    

Mas podemos interpretar também palingenesia nas traduções erradas bíblicas (Mateus 19: 28; e Tito 3: 5), como sendo o período das nossas reencarnações. E, teologicamente falando, a nossa regeneração já foi feita, antecipadamente, pelo projeto de Deus quando da criação do homem. 

Mas cabe a nós, agora, fazermos também a nossa parte, para o que, exatamente, Deus nos deu a graça de outras vidas, pois essa parte que nos toca fazer não se faz num pescar de olhos, mas durante as longas eternidades das reencarnações!

PS: José Reis Chaves apresenta o“Presença Espírita na Bíblia”na www.tvmundomaior.com.br .
  





segunda-feira, 4 de abril de 2016

ESCREEVERAM A BÍBLIA HOMENS INSPIRADOS POR ESPÍRITOS TIDOS COMO DEUS



Inspiração não é um ditado. E talvez seja melhor chama-la de intuição e “insights”, pois essas duas alternativas são ideias novas desconhecidas que nos vêm inesperadamente. 

José Reis Chaver


A inspiração ou intuição é de Deus, se ela chega a nós através de um espírito bom, santo, pois tudo que é bom, no fundo, vem de Deus. 

Mas não se trata de uma influência direta do próprio Deus sobre nós, mas de um espírito do bem, procedente de Deus. A Bíblia diz, pois, que um espírito é de Deus nesse sentido de ele ser do bem. “Não são todos eles anjos espíritos ministradores enviados para serviço, a favor dos que hão de herdar a salvação?” (Hebreus 1: 14). 

“Que o Deus de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai a quem pertence a glória, vos dê um espírito de sabedoria, que o revele a vós e faça conhecer verdadeiramente.” (Efésios 1: 17). 

Esse texto, além de nos demonstrar que Jesus Cristo não é Deus mesmo, absoluto, demonstra-nos também que o espírito a ser enviado não é o Espírito Santo da Terceira Pessoa trinitária, que é tida por muitos como sendo o próprio Deus. 

E perguntamos qual dos dois Espíritos Santos é o Deus verdadeiro, o da Terceira  ou o da Primeira Pessoa trinitária? Ademais, fica evidente nessa passagem de Efésios que não se trata da Primeira nem da Terceira Pessoas trinitárias, mas apenas de um espírito de sabedoria. 

Aliás, como dizemos frequentemente nas matérias dessa coluna de O TEMPO, Paulo não conheceu o Espírito Santo da Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, que foi imaginado e criado, aos poucos, pelos teólogos, e que começou a ter uma existência mais oficial no Concílio Ecumênico de Constantinopla (381), o primeiro realizado nesta cidade.

E o apóstolo e evangelista são João chama-nos a atenção para que examinemos os espíritos, pois há espíritos de vários níveis enquanto estão encarnados, tentando, mentindo, atormentando e cometendo crimes, e que quando desencarnam, continuam na mesma, enganando e obsidiando as pessoas, principalmente as que foram seus inimigos nesta vida ou em outras anteriores. 

Atualmente, a passagem joanina a que estamos nos referindo está adulterada nos meios evangélicos para ocultar nela a presença claríssima de espíritos. E vamos, pois, apresentá-la na íntegra como ela está nas bíblias mais antigas: “Amados, não deis crédito a qualquer espírito: antes provai se os espíritos se procedem de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo fora.” (1 João 4: 1). 

João demonstra-nos, também, que não é o Espírito Santo que se comunica, pois ele fala de espíritos no plural e não de que devamos constatar se se trata do Espírito Santo trinitário dogmático que, aliás, ele nem conheceu. 

E essa passagem demonstra-nos, ainda, que as profecias podem ser feitas também por espíritos através de profetas (médiuns) que os recebem. E mais, a leitura da continuação do texto, no versículo dois seguinte, mostra-nos que todo espírito que for de Deus, isto é, do bem, diz verdades, não negando, pois, que Jesus veio em carne, condenando assim os docetistas do seu tempo, que ensinavam que Jesus, só aparentemente, veio em carne. 

Esse ensino de João é muito importante, principalmente, para muitos cristãos das gerações futuras depois dele, que, ao receberem espíritos bons, ou que fingem ser bons, vêm pensando erradamente que os espíritos que recebem são o do próprio Deus! 

PS: Recomendo “O Nome de Deus é Misericórdia”, do Papa Francisco, Ed. Planeta, mfigueiredo@editoraplaneta.com.br

José Reis Chaves - Prof. de português e literatura aposentado formado na PUC Minas
Escritor e jornalista colunista do diário O TEMPO, de Belo Horizonte
Palestrante nacional e internacional espírita e de outras correntes
espiritualistas
Apresentador  do programa “Presença Espírita na Bíblia” da TV Mundo Maior
Participante do programa “O Consolador” da Rádio Boa Nova
Tradutor de "O Evangelho Segundo o Espiritismo", de Kardec, para a
Editora Chico Xavier.
E autor dos livros, entre outros, "A Reencarnação na Bíblia e na
Ciência" e "A Face Oculta das Religiões", Editora EBM, SP, ambos
lançados também em inglês nos Estados Unidos.

Facebook: www.facebook.com/jreischaves
E-mail:  jreischaves@gmail.com
Site: www.josereischaves.com.br

Podem-se ler também as matérias da coluna de José Reis Chaves em O
TEMPO, de Belo Horizonte, no seu facebook e no site desse jornal:
www.otempo.com.br 
 

terça-feira, 22 de março de 2016

MÉDIUNS RECEBEM ESPÍRITOS BONS QUE ELES PENSAM SER O DO PRÓPRIO DEUS

A mediunidade, hoje, é estudada em grandes universidades, e há até teses pós-graduação sobre ela:   http://psicografiaeprovajudicial.blogspot.com.br/

E é, principalmente, pela ignorância do povo judeu e da prática de comércio e charlatanice envolvendo-a, que Moisés proibiu sua prática em Deuteronômio capítulo 18. 



Kardec deixou claro que, quando ele dizia que uma pessoa era médium, ele queria dizer que ela possui um dom especial igual ao dos profetas bíblicos. E eles eram chamados também de videntes (1 Samuel 9: 9).  

Ademais, Joel e são Pedro profetizaram que, no futuro, todas as pessoas seriam profetas. E todo espírito é como se fosse uma extensão de Deus, daí a frase: “Derramarei de meu Espírito sobre toda carne.” “Vossos filhos e vossas filhas profetizarão, vossos jovens terão visões, e sonharão vossos velhos...” (Joel 2: 28; e Atos 2: 17 e 18).

A mediunidade está presente em pessoas de todas as religiões e até nas ateias. São Paulo a chama de dom espiritual, ou seja, dos nossos espíritos. Ela consiste no dom de os médiuns atraírem espíritos que se manifestam através deles. 

Porém, numa manobra inteligente, mas infeliz, pois anulou uma verdade bíblica, os teólogos do cristianismo abafaram esse dom da mediunidade, passando a ensinar que era o Espírito Santo da Terceira Pessoa trinitária que se manifesta e não um espírito humano bom (“bonus”), como diz são Jerônimo na Vulgata Latina. 

O Espírito Santo, Deus trinitário, foi criado por eles, principalmente, a partir do Concílio Ecumênico de Constantinopla (381). E ensinaram que só o papa e os bispos podiam recebê-lo, abafando, assim, o dom espiritual da mediunidade. 

Os poucos padres e bispos médiuns que recebiam espíritos bons acreditavam que fossem o Espírito Santo trinitário, mas ficavam confusos quando recebiam espíritos atrasados que não  podiam, pois, ser tidos como o Espírito de Deus. 

E passaram a chamar esses espíritos de demônios (“daimones”). Mas, como se diz, o tiro saiu pela culatra, pois demônios são almas humanas boas ou más! 

Mais tarde, os que tinham o dom de mediunidade, principalmente, se fossem mulheres, eram tidos como ‘endemoninhados’, bruxos e feiticeiros, e morriam nas fogueiras da Inquisição. Mas nada ficará oculto, ensinou o excelso Mestre. E, com o fim da Inquisição, a mediunidade vem avançando, como vimos, segundo as profecias de Joel e são Pedro.

 “Samuel profetizou até depois de morto.” (Eclesiástico 46: 20). Não foi, pois, o cadáver dele que profetizou, mas o espírito santo ou a alma santa dele, e através de um médium, sem o que não poderia haver a comunicação dele. Os protestantes e, principalmente, os evangélicos pentecostais e fundamentalistas vão dizer que o Eclesiástico é da Bíblia Católica da qual Lutero retirou sete livros, entre eles esse livro, apócrifo para eles. 

Mas a Bíblia Católica é muito mais confiável do que a de Lutero! 

Ademais, no Livro de Números 11: 24 a 30, Moisés não só reconhece como válida a recepção de espíritos que profetizavam pelos profetas encarnados ou médiuns Heldade e Medade, mas até os elogia! 

E nesse episódio, não é também o Espírito Santo dogmático da Terceira Pessoa trinitária que profetizava, pois os dois recebiam espíritos (no plural) e não o próprio Espírito de Deus (no singular) como ainda pensam muitos cristãos médiuns, quando recebem bons espíritos!

José Reis Chaves - Prof. de português e literatura aposentado formado na PUC MinasEscritor e jornalista colunista do diário O TEMPO, de Belo HorizontePalestrante nacional e internacional espírita e de outras correntesespiritualistasApresentador  do programa “Presença Espírita na Bíblia” da TV Mundo MaiorParticipante do programa “O Consolador” da Rádio Boa NovaTradutor de "O Evangelho Segundo o Espiritismo", de Kardec, para aEditora Chico Xavier.E autor dos livros, entre outros, "A Reencarnação na Bíblia e naCiência" e "A Face Oculta das Religiões", Editora EBM, SP, amboslançados também em inglês nos Estados Unidos.


 PS: “Nos Passos do Mestre” nos cinemas, em 24-3-2016. Contato FEAL: Erika Silveira, (11) 2086-4360 - assessoria@feal.com.br


segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

SE UMA SÓ ALMA SE PERDESSE, DEUS NÃO SERIA ONIPOTENTE E ONISCIENTE



Aos leitores dos comentários do Portal de O TEMPO (www.otempo.com.br) digo que um evangélico, que costuma exceder-se nos seus comentários, disse que eu afirmei que “Jesus é mentiroso”, o que não é verdade. E lembro aqui o sacerdote francês franciscano François Brune, diretor do Vaticano de TCI (transcomunicação instrumental) ou comunicação com os espíritos por aparelhos eletrônicos (rádio, tv, telefone, gravador, computador, vidicom, espiricom etc), e autor de “Os Mortos nos Falam”, que disse: “como eu gostaria de que os católicos amassem Jesus como o amam os espíritas!”.



Deus, além de onipotente e onisciente, é onipresente e onividente. Onipresente significa que ele está presente em todos os lugares onde Ele quiser estar, onividente, que Ele vê tudo que é visível e invisível do passado, do presente e do futuro.

Deus criou o homem com livre-arbítrio, podendo ele fazer o que quiser. E há dois tipos de poder: o poder ou capacidade para fazer alguma coisa e o poder moral. Assim, o indivíduo tem o poder de assassinar alguém. Porém, moralmente, não tem esse poder. E ele é recompensado e punido, reciprocamente, pelo bem e pelo mal que fizer. Quanto a Deus, é como se Ele não tivesse o livre-arbítrio, pois tudo que Ele faz é certo e bom.

Não pode haver incompatibilidade entre a salvação e o livre-arbítrio. Sendo Deus todo-poderoso, amorável e sabedor de tudo, Ele jamais no-lo daria, se ele pudesse arrastar-nos a uma condenação para sempre. O livre-arbítrio não pode ser, pois, como se fosse uma isca mortal no anzol para o peixe. Deus não é pescador e nós não somos peixes!

E assim, conclui-se que o livre-arbítrio mal usado pode realmente nos causar consequências de males ou sofrimentos, mas temporários, e não para sempre, uma vez que seria uma injustiça, pois seria uma pena como que infinita para faltas finitas. E essa injustiça não se pode atribuir ao ser infinitamente perfeito e amorável que é Deus. 

É por isso que Ele, onipotente e onisciente que é, dotou-nos não só do livre arbítrio, mas também do fenômeno da palingenesia ou reencarnação, exatamente para possibilitar-nos, através de várias vidas terrenas, a nossa evolução ou regeneração, como se lê em Mateus 19: 28 e Tito 3: 5 (ver a Bíblia nos seus originais gregos, pois a palavra “palingenesia”, que é a volta à vida ou outra reencarnação (ver dicionários) foi traduzida errada, propositadamente, por regeneração, exatamente para esconder a ideia da reencarnação). 

É justamente pela palingenesia que todos nós poderemos conseguir a nossa regeneração, purificando-nos de nossos erros, e podermos assim alcançar a nossa difícil passagem pela chamada porta estreita, símbolo da salvação segundo o ensino do nosso excelso Mestre.

Se somente um filho de Deus se perdesse irremediavelmente para sempre, Deus não seria um Ser todo-poderoso, onipotente, onisciente, onividente e de amor infinito, capaz, pois, de poder livrar todos os seus filhos, infinitamente amados por Ele, do tão falado e exaltado inferno sempiterno. 

Ora, para isso se realizar, não poderia faltar a vontade de Deus. E se Ele é onipotente e onisciente pode e saberá como concretizá-la.

A aceitação, pois, da hipótese de perda irremediável e para sempre de um só filho de Deus, sem a palingenesia para a regeneração, seria até como que uma blasfêmia contra o Todo-Poderoso e Todo-Amoroso Pai e Mãe de todos nós!

José Reis Chaves - escritor e palestrante espírita